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Submarinos: portugueses viram-se gregos com os subornos

02/04/2010

O "Arpão", baptizado em Junho de 2009, já deveria ter chegado a Portugal.

Os “nossos corruptos” são bem mais modestos que os seus homólogos gregos

O grupo MAN, através da sua subsidiaria Ferrostaal, utilizou um escritório de advogados em Zurique, na Suíça, e contas offshore para pagar subornos no negócio dos dois submarinos portugueses. É esta a conclusão avançada pelos procuradores alemães que afirmam num relatório que o consórcio criado para efectuar o negócio com o governo português “adoptou um esquema idêntico” àquele que foi utilizado com sucesso na venda de submarinos à marinha grega.
Segundo os documentos do ministério público alemão, na Grécia, MAN terá alegadamente pago subornos de 10 a 12 milhões de euros a funcionários e militares para garantir a entrega do primeiro de quatro submarinos. Foi no âmbito desta investigação que os investigadores encontraram outros pagamentos ilegais, desta vez a intervenientes relacionados com a construção e a venda dos submarinos destinados a Portugal. A existência de indícios e provas de pagamentos ilegais com destino a outros países leva os investigadores a pensar que “se trata de uma prática permanente” neste tipo de negócios.
Facto curioso, os “nossos corruptos” são bem mais modestos que os seus homólogos gregos já que os documentos alemães revelam que o montante do suborno pago aos intervenientes portugueses –1,6 milhões de euros por cabeça – é largamente inferior aos 10 a 12 milhões pagos individualmente no negocio com Atenas. Uma “brincadeira de criança” como ironizou um dos investigadores.
O contrato de fornecimento com a Grécia foi celebrado em 2000 por um montante de 1.26 bilhões de euros e prevê a entrega de quatro embarcações, entre elas o Papanikolis, um submarino da classe 214.
Dez anos mais tarde, vítima de inúmeros problemas técnicos, o Papanikolis ainda nem sequer chegou a Atenas mas ainda assim o governo grego promete aceitar a embarcação “para a colocar à venda”, como disse um porta-voz do ministério da defesa.

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