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McCann atiram-se à divulgação de pistas do caso Maddie

07/03/2010

Kate e Gerry McCann

Contestada entrega de documentos pelo MP a tablóides britânicos

Kate e Gerry McCann juntaram-se ontem às muitas vozes que protestam contra a decisão do procurador do círculo judicial de Portimão, que entregou a jornalistas ingleses cerca de duas mil páginas do processo do caso Maddie contendo informações de avistamentos de crianças que diversas forças de policia – incluindo a Policia Judiciária (PJ) – já tinham investigado e descartado como não sendo a criança inglesa que desapareceu na Praia da Luz em 2007.
Em comunicado, os pais de Madeleine McCann dizem-se preocupados com a divulgação do conteúdo daqueles documentos alegando agora que “a publicação de informações desta forma também pode comprometer investigações futuras”.
“Divulgar essa informação ao público é extremamente prejudicial para a busca de Madeleine e coloca testemunhas e membros inocentes do público em geral em situação de risco (assim como lhes causa grande ansiedade) ”, diz o casal McCann.
Durante toda a semana, os tablóides ingleses publicaram fotos de crianças e de alegados suspeitos que “já sabiam não estarem sequer relacionados com o caso”, como reconheceu ao 24horas um dos repórteres que se deslocaram ao Algarve. Mas, segundo o jornalista, o comunicado ontem emitido por Kate e Gerry McCann apanhou “de surpresa” os profissionais britânicos já que “o porta-voz do casal (Clarence Mitchell) mostrou-se satisfeito com a divulgação dos avistamentos e das novas pistas”.
Clarence Mitchell disse anteriormente que Kate e Gerry estavam “chocados e aborrecidos” com a revelação tardia daquelas pistas, sublinhando que era muito frustrante que a imagem que os jornais mostraram da criança na Nova Zelândia “date de Dezembro de 2007 e só tenha sido revelada agora”.
A decisão do procurador, um dos magistrados do MP que esteve na origem do arquivamento do processo, é igualmente criticada por investigadores nacionais e estrangeiros: “o resultado da decisão do senhor procurador está à vista. Mais uma vez cidadãos inocentes foram utilizados numa manobra de comunicação que não só afecta a credibilidade da polícia portuguesa mas, mais grave, colocou em risco crianças inocentes”, disse um responsável nacional da PJ. Uma reacção partilhada esta semana pelas autoridades neozelandesas que protestaram contra a divulgação de “documentos confidenciais próprios à colaboração internacional entre forças de policia e nunca destinadas à comunicação social”.
O 24horas apurou entretanto que as alegadas pistas no Canada e em França, igualmente avançadas em Londres pelos média britânicos, são falsas: a criança que cantou na televisão canadiana faz parte de um grupo coral e foi identificada. Em França, “as informações agora reveladas não têm qualquer ligação ao desaparecimento da miúda inglesa e, em alguns casos, revelaram-se falsas ou infundadas,” disse ao nosso jornal um responsável da “gendarmerie”.

→ também no 24horas

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