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Curdos denunciam “ataque hostil” de Ancara na Europa

05/03/2010

Organizações curdas na Europa acusam a União Europeia de participar num “ataque hostil” de Ancara contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK.
Ontem, a polícia federal belga efectuou pelo menos 28 buscas em varias regiões do país e deteve 20 pessoas, supostamente membros do PKK.
Entre os locais visados pelas autoridades belgas encontravam-se as instalações da televisão curda Roj TV, local onde confrontos entre manifestantes curdos e a polícia causaram um ferido grave.
Segundo as autoridades belgas, os investigadores encontraram documentos falsos e elevadas somas em dinheiro que acreditam serem destinadas ao recrutamento e à formação de combatentes do PKK na Bélgica mas também na Grécia e na Turquia.
Nas instalações da televisão curda em Denderleeuw, onde alegadamente opera um canal de rádio que transmite instruções aos combatentes do PKK, a polícia diz ter encontrado cerca de 100.000 euros.
Entre os detidos encontram-se Zubeyir Aydar e Remzi Kartal, dois antigos membros do parlamento turco acusados por Ancara de dirigirem o movimento curdo na Europa.

Cartaz de 2007 na montra de uma loja turca em Bruxelas apelando aos turcos para organizarem acções contra a comunidade curda. Os “Lobos Cinzentos” estão presentes nos bairros populares turcos da capital belga.

Um jornalista independente turco em Bruxelas acusou ontem Ancara de fomentar acções dos “Lobos Cinzentos” na Bélgica como elemento de pressão junto das autoridades locais – nos últimos meses as comunidades turcas de Schaarbeek e de Saint Josse Ten Noode, na região de Bruxelas, estiveram envolvidas em movimentos de protesto nacionalistas que deram origem a confrontos com a polícia. Informação confirmada também por fonte do ministério do interior belga que reconhece que “as autoridades turcas ajudaram a organizar esta operação”.
Em Dezembro do ano passado as autoridades turcas tinham protestado contra a decisão da justiça belga de libertar seis alegados membros do DHKPC, movimento da extrema-esquerda turca. Ontem, Ancara saudou “a forma como a polícia belga cumpriu as suas obrigações na luta contra o terrorismo internacional”.
O PKK combate o exército turco há mais de 25 anos pedindo a independência do Curdistão e é considerado como uma organização terrorista pela União Europeia e pela Turquia.

Manifestações e protestos nos próximos dias

“Todos os curdos que vivem na Europa” são chamados a unirem-se em Bruxelas e a organizarem acções de protesto “contra este ataque hostil”, revela um comunicado do KCK, uma organização ligada ao PKK. Segundo o mesmo documento, as acções de protesto devem abranger “todo o território do Curdistão”, o que engloba as zonas de população curda na Turquia, no Iraque, Irão e na Síria.
Esta manhã, em Londres, Bruxelas e Berlim, circulavam mensagens via SMS com apelos a uma grande manifestação junto das instalações europeias na capital belga.

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