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Caso Maddie: Nova pista de menina na Nova Zelândia é falsa

04/03/2010

publicado no 24horas 04.03.2010

Rapariga filmada é parecida com Maddie mas chama-se Hailey

A criança ontem revelada pela imprensa britânica como sendo alegadamente Maddie, a menina que desapareceu no Algarve em Maio de 2007, “não tinha qualquer marca distintiva nos olhos (ao contrário de Madeleine) ” e disse chamar-se “Hailey”, revelou ao 24horas um dos responsáveis do supermercado na Nova Zelândia, onde foram captadas as imagens a 5 de Dezembro de 2007.
Esta informação ter-lhe-á sido confirmada pelos próprios pais da menina.
Ontem, durante todo o dia, o 24horas tentou contactar o casal que nos foi indicado pelo responsável do comércio como sendo os pais da pequena Hailey. Mas não foi possível.
De acordo com o responsável daquele estabelecimento em Dunedin, na Nova Zelândia, a criança “não tinha qualquer marca distintiva nos olhos” o que pode explicar o facto de a polícia local não ter dado seguimento ao inquérito, limitando-se a comunicar a informação incompleta à Interpol.
Um alto responsável da polícia neozelandesa reconheceu ao 24horas que “o inquérito se manteve em aberto até agora sem que qualquer outra diligência tivesse sido efectuada”. Segundo a mesma fonte, “o testemunho não era muito credível”.
As imagens a que o 24horas teve acesso mostram um casal com duas crianças – Hailey e um rapaz – mas a polícia em Dunedin “não procurou identificar o homem” apesar de ele estar claramente visível. A polícia neozelandesa “tem mais fotografias do que aquelas que foram enviadas à Interpol” reconheceu um graduado ao 24horas, nomeadamente “uma imagem muito nítida do homem”.

Empregada deu o alerta

O supermercado “The Warehouse” em Dunedin

Sete meses depois do desaparecimento de Madeleine McCann a polícia neozelandesa foi chamada a intervir num supermercado de Dunedin por Taryn Dryfhout, uma empregada que afirmava ter falado com a criança e que esta tinha um comportamento estranho.
Taryn voltou ontem a garantir à comunicação social que “a criança das imagens era Maddie” e que ela “falava com um sotaque britânico muito acentuado”.
Taryn, cujo marido, Stephen, tenta há alguns anos entrar na polícia, disse que a criança “parecia muito apreensiva e confusa enquanto tentava lembrar-se do seu nome”.
“Ela estava muito tímida e com medo”, disse Taryn acrescentando que o casal era “suspeito”.
Contactada pelo 24horas, a testemunha voltou a afirmar que se tratava de Maddie mas foi incapaz de indicar qual o olho em que se encontrava a famosa marca que apresentava a menina inglesa e que tem servido de “imagem de marca” na campanha desenvolvida por Kate e Gerry McCann.
Ontem, jornalistas ingleses que se encontram no Algarve utilizaram as imagens de Hailey, captadas pelo circuito interno do supermercado, para ilustrar artigos onde acusam a investigação da PJ de ter ignorado alegadas pistas de crianças cuja descrição poderia corresponder à de Maddie.
Segundo um dos profissionais, “foi o procurador quem lhes deu acesso aos documentos” depois de lhes ser dado a saber, pela advogada dos McCann, Isabel Duarte, a existência da informação.
A maioria daquelas “pistas”, segundo documentos a que tivemos acesso, chegou à PJ depois do encerramento provisório do inquérito, decretado pelo Ministério Publico, e parte delas foi enviada para Portimão pelas autoridades inglesas.
Um dos investigadores da polícia britânica que acompanhou no Algarve o trabalho da PJ e que está proibido de falar publicamente sobre o caso – o mesmo acontecendo com todos os diplomatas e policias que participaram no inquérito – disse ao 24horas que a pista neozelandesa “não tem mais credibilidade do que qualquer outra”.
“A PJ sempre nos informou do que estava a ser feito, da mesma maneira que nós lhes enviámos todas as informações, mesmo aquelas não têm consistência”, disse a fonte, acrescentando: “Temos conhecimento de todos os testemunhos e informações que chegaram à PJ.”

McCann revoltados

Clarence Mitchell, o porta-voz do casal McCann, afirmou ontem que Kate e Gerry estão “chocados e aborrecidos” com a revelação tardia daquelas pistas, lamentando que a PJ não as tenha considerado credíveis.
“É muito frustrante que a fotografia que os jornais mostram hoje date de Dezembro de 2007 e só tenha sido revelada agora,” disse Clarence Mitchell – o porta-voz do casal McCann é agora candidato ao parlamento britânico e responsável pela comunicação no seio do partido.
Um amigo da família em Inglaterra disse ao 24horas que “os investigadores do casal até já a deviam conhecer” porque tiveram acesso a muita “informação privilegiada” junto da polícia de Leicester.
Entretanto, o chefe da diplomacia britânica, David Miliband, vai estar sexta-feira em Lisboa para se reunir com o seu homólogo português, Luís Amado.
“Esperamos que o caso Maddie possa ser abordado”, disse-nos uma fonte próxima de Kate e Gerry McCann.
Oficialmente, segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, na agenda oficial do encontro não consta qualquer referência ao caso “mas que é possível que venham a abordar esse tema”.
O próprio primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, chegou a intervir no caso junto de José Sócrates e, recentemente, Kate e Gerry McCann voltaram a recorrer à diplomacia britânica.

* Duarte Levy com João Nascimento

Pistas não seguidas pela PJ

Vários jornais ingleses, entre eles o “The Sun” e o “Daily Mail”, noticiaram ontem que as autoridades portuguesas possuem um arquivo, com mais de duas mil páginas, do qual constam pistas e avistamentos que não foram investigados pela PJ, com a justificação de que não “eram pertinentes”, tendo o “Daily Mail” elaborado uma lista com algumas dessas pistas:
1. Uma menina, com a aparência de Madeleine, com uma imagem descuidada, foi vista com um homem, de cerca de 30 anos, numa loja perto de Múrcia, em Espanha, pouco tempo depois do desaparecimento da criança.
2. Uma rapariga, semelhante a Madeleine, foi avistada junto a uma auto-estrada francesa, em Agosto de 2008, na companhia de um homem em tronco nu, que ameaçou a testemunha do avistamento.
3. Fotografias de pedofilia, nas quais aparece uma criança semelhante a Madeleine, foram descobertas na Internet por uma detective francesa.

“O mais importante é reabrir o processo”

“É tudo propaganda” acusa Gonçalo Amaral

O que se está a passar “é propaganda”, uma vez que “ninguém anda à procura da menina, nem cá, nem lá (em Inglaterra) ”. As palavras são do ex-inspector da PJ, Gonçalo Amaral, que vê as críticas do casal McCann e da imprensa inglesa à investigação portuguesa como puro “folclore”.
“Os avistamentos, de que se fala, vinham quase sempre da polícia inglesa, se são assim tão importantes, como agora há quem diga, porque é que não foram investigados pela Scotland Yard? Afinal a menina é cidadã britânica”, lembra o autor do livro “A Verdade da Mentira”, baseado no caso de desaparecimento de Madeleine McCann, no Algarve, em 2007.
“O importante não é andar a falar de avistamentos, a dizer que a menina foi vista aqui e ali, o importante era reabrir o processo. A verdade é que desde a minha saída de Portimão nada mais foi feito, o processo foi arquivado pelo Ministério Público a meio, ficaram muitas diligências por fazer, e é isso que agora permite todo o género de especulações”, salientou o ex-inspector ao 24horas.
“O processo terá sido arquivado porque o Estado terá tido medo dos pedidos de indemnização (dos McCann). Um medo que nos era transmitido até pelos nossos colegas, os polícias ingleses, que diziam que esse tipo de coisa era muito comum em Inglaterra”, lembrou Gonçalo Amaral.
Opinião bem diferente sobre a evolução do caso Maddie é a da advogada dos McCann, Isabel Duarte, para quem “é chocante e triste” que as pistas agora reveladas publicamente “não tenham chegado aos pais”. A revelação das informação em causa é também criticada por Isabel Duarte, por “colocar em risco a segurança da menina”.

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