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Restaurante português há 30 anos no guia Michelin

01/03/2010

Imagem no interior do restaurante "Saudade"

Imagem no interior do restaurante "Saudade"

A edição 2010 do guia Michelin, obra de referência da gastronomia francesa, foi hoje publicada em França consagrando uma única referência à cozinha portuguesa, o restaurante “Saudade” em Paris.
A centuagésima primeira edição do guia cujas anotações fazem tremer os mais conceituados chefes de cozinha contemplou este ano 558 restaurantes como sendo os melhores de França e manteve a “chefe” Maria de Fátima como “o melhor exemplo da nossa cozinha em terras gaulesas”.
O guia Michelin, cujo conteúdo é tradicionalmente mantido no mais absoluto segredo até ao último momento, atribui de uma a três estrelas aos melhores restaurantes do país.
Situado “rue du Bourdonnais” em Paris, o “Saudade” é uma história de longevidade no guia: criado em 1979, a casa entrou no Michelin em 1980 e ai se mantém como referência à cozinha tradicional portuguesa, consagrando a aposta em pratos como a Carne de Porco à Alentejana, o Leitão Assado, ou o Bacalhau – “Os pratos que os franceses preferem,” como disse Fernando de Moura, o proprietário.
“Temos 60 marcas de Vinho do Porto e uma carta de vinhos com 150 referências que cobrem o país de norte a sul,” disse Fernando, sublinhando que “agora é preciso ter uma grande diversidade de vinhos porque os franceses sabem o que querem e já fogem aos vinhos comerciais”.
Originários de Afife, uma freguesia limítrofe do concelho de Viana do Castelo, situada no litoral Norte de Portugal, Fernando Moura e Maria de Fátima não têm mãos a medir pois os cinquenta lugares da casa “estão quase sempre completos” e mesmo o pessoal – exclusivamente português – não tem um minuto de descanso quando começam as refeições.
“Estar no guia é um privilégio de muita responsabilidade que nos obriga a mantermo-nos sempre ao mais alto nível” reconhece o patrão explicando que “o restaurante chegou a mudar de mãos durante um breve intervalo, mas que depressa regressou à família original, guardando a sua reputação”.
Ser citado, ganhar ou manter estrelas no guia Michelin representa um “status” para qualquer restaurante e para os “chefes”, e ninguém ainda esqueceu o triste episódio de 2003 quando o chefe francês Bernard Loiseau se suicidou com um tiro na cabeça aos 52 anos, desesperado com os rumores de que o seu estabelecimento iria perder a classificação de “três estrelas Michelin”.

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