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Português julgado por confusão em voo da TAM

07/02/2010
António Nascimento

António Nascimento

António Nascimento, o reformado português de 64 anos que se encontra retido no Brasil há mais de dois meses, acusado de ter provocado distúrbios e colocado em risco o voo JJ8096 da companhia aérea TAM, regressa esta semana à 4ª Vara do Tribunal Federal de Guarulhos, em São Paulo, para conhecer a decisão final da justiça brasileira.
Nascimento, que é emigrante em Montbéliard (França) há várias décadas, foi presente na segunda-feira passada ao juiz Alessandro Diaferia ao lado do francês Michel Ilinskas, 63 anos, também ele reformado, e da luso-descendente Émilie Camus, 54 anos. Os três incorrem numa pena de prisão de cinco anos.
Os três europeus, que faziam parte de um grupo de uma centena de turistas, negaram em audições separadas terem estado na origem da confusão que, a seis de Dezembro último, se gerou no interior do avião da TAM que devia fazer a ligação entre São Paulo e Paris. O avião, depois de três tentativas abortadas para descolar, ficou quatro horas retido na pista devido a um conjunto de avarias técnicas, nomeadamente um problema grave no sistema informático do aparelho.
Em tribunal, o emigrante português – com dupla nacionalidade francesa – disse que apenas se limitou a traduzir para francês as informações que eram dadas pelo pessoal de bordo, explicando ao juiz Alessandro Diaferia que “o pessoal de bordo se enganou ao aponta-los como tendo estado na origem da confusão”, versão que foi aliás corroborada pelas testemunhas do processo.
O português e os dois companheiros receiam serem o bode expiatório da companhia aérea brasileira que, depois dos problemas técnicos do aparelho, anulou o voo e agora reclama uma indemnização.
“Começamos a entrar em pânico com as tentativas de descolagem e com os anúncios de problemas técnicos no aparelho,” disse António Nascimento ao 24horas, reconhecendo que “teve muito medo” e que “a bordo o tema das conversas era o acidente do voo da Air France para Paris”, o que explica as reticências do grupo e o pedido para mudarem de aparelho.
Seis meses antes, em Junho do ano passado, o voo Air France AF 447 entre o Rio de Janeiro e Paris despenhou-se no Oceano Atlântico causando 228 mortos.
Depois de cinco dias atrás das grades, sem que os serviços diplomáticos franceses ou portugueses tivessem sequer sido avisados – foi a família em França de um dos turistas quem avisou o consulado francês em São Paulo – os três europeus encontram-se há mais de dois meses sem passaporte e em regime de prisão domiciliária num lar para idosos.

→ também no 24horas

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