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McCann em Portugal para pedir 1,2 milhões a Amaral

10/12/2009

Os pais de Maddie, Kate e Gerry McCann, devem chegar hoje ao final da tarde ao Aeroporto de Lisboa e vão estar presentes na abertura do julgamento da providência cautelar que proibiu a venda do livro “Maddie – A Verdade da Mentira” de Gonçalo Amaral, o coordenador da Policia Judiciária (PJ) que dirigiu a investigação ao desaparecimento de Madeleine.
Os pais da criança inglesa que desapareceu na Praia da Luz em Maio de 2007, devem pernoitar num hotel da capital, não muito longe do Palácio de Justiça. O regresso a Inglaterra está previsto para sexta-feira ao final do dia.

Gerry e Kate chegam hoje a Lisboa.

A presença do casal na sala de audiências da 7.ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa foi confirmada ao 24horas por Cláudia Nogueira, a consultora em comunicação da empresa que está apoiar os McCann em Portugal.
Segundo a consultora, os pais de Maddie, “não têm prevista nenhuma deslocação à Praia da Luz” e “só vão estar em Lisboa durante o primeiro dia de audiência”, sendo acompanhados pela advogada Isabel Duarte.
Durante as três sessões previstas pelo tribunal – a 11, 14 e 16 de Dezembro –  a defesa de Gonçalo Amaral vai apresentar oposição aos argumentos da família McCann que estiveram na origem da providência cautelar decretada a 9 de Setembro último (leia o texto completo da providência aqui), e que fez com que o ex-inspector ficasse proibido de divulgar a tese apresentada no livro.
Na obtenção da providência cautelar que também retirou, provisoriamente, o livro e o vídeo baseado na obra de Gonçalo Amaral do mercado, Kate e Gerry alegam que Gonçalo Amaral divulga a tese do envolvimento do casal no desaparecimento de Maddie. No processo, para além do ex-coordenador da PJ, são ainda visadas a editora Guerra & Paz, a produtora Valentim de Carvalho e a TVI.
Em anexo a esta acção, os cinco membros da família McCann (Madeleine incluída) pretendem reclamar  protecção de direitos, liberdades e garantias.
De acordo com o relatório da 13ª Vara 3ª secção do Tribunal Cível de Lisboa, os McCann alegam que  o livro de Gonçalo Amaral – “Maddie, A Verdade da Mentira” viola “os direitos de Madeleine à sua integridade moral e física e a uma investigação justa e adequada sobre o seu desaparecimento, no futuro”.
Em anexo a esta acção, o casal exige ainda a Gonçalo Amaral uma indemnização de 1,2 milhões de euros por difamação, devido a “afirmações contínuas e grosseiras” sobre a investigação do caso de 2007, motivo que levou o tribunal a arrestar como garantia provisória diversos bens do ex-policia, entre eles um Jaguar comprado em segunda-mão e os lucros obtidos com a venda dos direitos do livro, “por um montante muito inferior ao esperado”, como confidenciou ao 24horas um próximo do casal inglês.

Demonstração de apoio a Amaral espera os McCann

Ainda não está confirmada a presença de Gonçalo Amaral na sala de audiência do Tribunal Cível de Lisboa, onde se pode representar pelos seus advogados, mas um próximo do ex-coordenador disse ao 24horas que “é muito provável que ele passe por lá”.
A defesa do autor de “Maddie, A Verdade da Mentira” e agora de “A Mordaça Inglesa – A História de um Livro Proibido” (ver caixa), vai apresentar ao tribunal o testemunho de diversos inspectores da PJ que participaram na investigação ao desaparecimento da menina inglesa.
À porta do tribunal, o ex-coordenador vai receber o apoio dos “Cidadãos pela Defesa dos Direitos e Liberdades – Projecto Justiça Gonçalo Amaral”, um grupo de anónimos que pretende “agir na defesa da liberdade de expressão” e “no apoio a quem se vê privado de meios para se defender legalmente, na sequência de manobras deliberadas por parte de quem visa a sua destruição, pessoal e profissional.”
Segundo Luís Arriaga, antigo apresentador da RTP e porta-voz daquele grupo, trata-se de uma “demonstração de apoio” e não de uma manifestação.
“O que está em causa não é o livro que é alvo da providência cautelar, mas tão-somente a própria providencia e o sistema judicial português,” disse Luís Arriaga ao 24horas.
O organismo que apoia Gonçalo Amaral tem também uma petição na internet e uma conta de solidariedade onde, até ontem, já constavam 615 assinaturas de cidadãos estrangeiros e 1156 de portugueses. Até ao momento, a conta de solidariedade, destinada a ajudar a defesa em tribunal de Gonçalo Amaral, já acumulou cerca de 3220 euros.

Amaral conta como foi amordaçado

O novo livro de Amaral

“A Mordaça Inglesa – A História de um Livro Proibido”, de Gonçalo Amaral e editado pela Planeta (grupo Planeta DeAgostini), vai ser apresentado por José Adelino Maltez na próxima sexta-feira, dia 11 de Dezembro, pelas 18h30, na Livraria Ler Devagar – Lx Factory, em Lisboa.
Segundo a editora, o livro, com prefácio de Moita Flores, revela os meandros da proibição de edição da obra “Maddie, A Verdade da Mentira”.

→ também no 24horas

Notas: Clarence Mitchell, o porta-voz habitual de Kate e Gerry McCann, está ocupado a preparar as próximas eleições onde prevê sua entrada no parlamento britânico como deputado conservador (ler o artigo) e não acompanha o casal nesta viagem. Nenhum elemento do chamado “grupo do Tapas Bar” acompanha os McCann nesta deslocação a Lisboa.

One Comment
  1. arnaldo matias permalink
    10/12/2009 17:36

    Caso estranho este. Andam todos em tribunal em vez de andarem à procura da miúda (se não morreu) ou do seu corpo (se morreu). E o papel mais cretino de todos é o do tribunal que decretou a censura sobre um livro que exprime uma opinião que pode estar certa!

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