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Psicólogo quer reabrir caso Maddie

18/09/2009

Paulo Sargento

Paulo Sargento

PGR recebeu mais um pedido de reabertura do processo

O Procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, recebeu ontem mais um pedido de reabertura do processo relativo ao desaparecimento de Madeleine McCann, este da autoria do psicólogo e perito forense, Paulo Sargento.
Para além do pedido agora enviado ao PGR, Ana Lima, assessora de Pinto Monteiro, confirmou ao 24horas que já anteriormente um cidadão espanhol havia tomado idêntica iniciativa, “mas sem que indicasse qualquer diligência com interesse, pelo que foi arquivado,” esclareceu a responsável.
No documento agora enviado, em carta registada com aviso de recepção, ao PGR – a que o 24horas teve acesso, Paulo Sargento fundamenta o seu pedido em elementos que “não foram correctamente investigados” pela Policia Judiciária ou pelas autoridades inglesas após a saída de Gonçalo Amaral do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ em Portimão.
De acordo com o psicólogo, autor de uma simulação vídeo 3D sobre os acontecimentos da noite do 3 de Maio de 2007 – noite em que Maddie alegadamente terá sido raptada – o casal McCann nunca foi interrogado acerca das circunstâncias que os levaram a lavar “cuddle cat” – o peluche cor-de-rosa que pertencia à criança: “seria importante apurar se Kate e Gerry foram informados da chegada dos cães ingleses, quando e por quem,” disse Sargento ao 24horas.
Para o psicólogo, é revelador o facto de Kate McCann ter lavado o “cuddle cat” antes dos dois cães, Eddie e Keela, – animais treinados para detectarem o cheiro a cadáver e ao sangue humano – terem chegado à Praia da Luz.
“Hoje lavei o ‘cuddle cat’. Tinha esperança de não o fazer até Madeleine voltar,” escreveu Kate McCann num diário pessoal que iniciou após o desaparecimento da criança do apartamento que a família ocupava na Praia da Luz, no Algarve. De acordo com aquele diário, que a PJ traduziu, a mãe de Maddie justifica-se com o facto de o peluche estar “a ficar um bocado sujo e com mau cheiro,” atitude que o psicólogo estranha: “não corresponde ao comportamento que seria de esperar de uma mãe naquela situação”.
“Verifiquei que a assumida lavagem do “cuddle cat”, alguns dias antes da chegada dos cães pisteiros, bem como os motivos para tal acto, NÃO constituíram objecto de investigação em sede de inquirição!”, escreve Paulo Sargento no pedido enviado a Pinto Monteiro, sublinhando o facto de Eddie e Keela, os cães especialmente vindos de Inglaterra, terem efectuado uma “identificação positiva de odor a cadáver no peluche, mas não na cama nem lençóis onde foi encontrado pelos investigadores” – vídeos disponíveis em www.mccannfiles.com/id167.html ou em www.mercedessigueaqui.blogspot.com/2008/09/caso-madeleine-mccann-videos-sobre-el.html.
Para além daqueles pedidos formais de reabertura do processo, Ana Lima explicou ao 24horas que o PGR já recebeu “dezenas de e-mails e cartas, normalmente anónimas” acerca do caso Maddie, mas que até agora não tiveram “qualquer relevância jurídica, já que não apontam factos concretos e credíveis”.

Amargurado sem resposta do PSD

Gonçalo Amaral, o autor de “Maddie, A Verdade da Mentira” – livro cuja venda se encontra proibida por uma providência cautelar de um tribunal cível de Lisboa – diz-se “algo amargurado” com o PSD, o seu próprio partido, por este não lhe ter respondido a um pedido de audiência.
O ex-coordenador do DIC da PJ em Portimão, que esteve à frente da investigação do caso Maddie, pediu audiências a todos os partidos políticos com representação na Assembleia da República, inclusive o seu, mas até agora só foi recebido pelo Movimento Partido da Terra (MPT).
“Para nós é muito preocupante que debaixo de uma decisão judicial haja uma mordaça que é colocada a um cidadão português que o impede de se exprimir, de falar,” disse o líder do MPT, Pedro Quartin Graça, após o encontro com Amaral, acrescentando que a providência cautelar obtida em nome dos McCann “é uma limitação inaceitável aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos previstos na Constituição portuguesa”.
Não é a primeira “desilusão” de Amaral para com o PSD. Apesar das sondagens que o davam como o candidato ideal, o responsável pela investigação do caso Maddie já tinha visto o seu nome afastado das listas do PSD à Câmara Municipal de Olhão, depois da intervenção dos órgãos nacionais do partido.

Duarte Levy no 24horas

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