Skip to content

Gonçalo Amaral garante que não o calam

10/09/2009

"Não me vão calar" disse Gonçalo Amaral

"Não me vão calar" disse Gonçalo Amaral

“Maddie “assina” providência cautelar”

Español

Gonçalo Amaral jura que não se vai calar, apesar da ordem da juíza Amélia Puna Loupo, do Tribunal Cível de Lisboa, que proibiu que o livro e o vídeo do ex-inspector da PJ sobre Madeleine McCann sejam comercializados. E também quaisquer declarações relacionadas com o assunto da menina desaparecida no Algarve em 2007.
O antigo policia garante ao 24horas que vai recorrer da decisão, entende que o tribunal não tem competência para o proibir de falar e lembra que “nunca acusou o casal McCann de terem morto a filha”.
“Ninguém me cala. Se o que os McCann querem é impedir que o livro seja traduzido em inglês, estão muito enganados,” desabafa ao nosso jornal, garantindo que “o livro vai continuar à venda no estrangeiro porque a lei portuguesa não se aplica lá fora”.
Amaral já mandou uma carta a todos os partidos com assento parlamentar no sentido de se pronunciarem sobre o que considera ser “uma violação do direito da liberdade de expressão”. E diz que seria importante obter uma resposta antes do dia 27, ou seja, antes das eleições legislativas.
Relativamente à indemnização de 1,2 milhões de euros que Kate e Gerry lhe exigem não podia ser mais sarcástico: “Isso só prova que o que eles querem é dinheiro. Eu não tenho essa quantia, se quiserem vir à minha reforma estão à vontade. Podem tirar o pão da boca das minhas filhas e tirar-me a liberdade, mas vou em frente”.
O ex-inspector da PJ adiantou ainda ao 24horas que mais pessoas vão falar: “Há policias ingleses que dentro de meses vão para a reforma e têm muito a dizer”.

Decisão agrada McCann

O 24horas publica hoje todos os detalhes do caso

O 24horas publica hoje todos os detalhes do caso

Do lado dos McCann, a satisfação era evidente na sequência do tribunal. Ao 24horas, o pai de Maddie confirmou que “a decisão era a mais justa” porque o que Gonçalo Amaral fez durante a investigação, e depois com o livro e o documentário, onde as “suas teses são mais que difamatórias, só tem prejudicado o trabalho dos detectives privados que continuam a procurar a criança”.
Mais tarde, numa conferência de imprensa, Gerry McCann foi mais longe: “Defender, como ele fez, que Madeleine está morta e que nós, como pais, estivemos envolvidos no desaparecimento causou à nossa família um enorme desgosto e continua a fazê-lo,” afirmou o médico, esperando que “a providência cautelar reduza o desgosto injusto e desnecessário causado e permita que as pessoas se concentrem no que é importante: encontrar Madeleine”.
Já o advogado inglês dos McCann, Ed Smethurst, afirmou à agência Lusa que a proibição pelo Tribunal Cível de Lisboa da venda do livro “A Verdade da Mentira” sobre o desaparecimento de Maddie é a primeira fase da acção judicial, mas que se “seguem outras acções noutras fases”.
Como o 24horas já tinha avançado em Junho, Kate, Gerry e os três filhos – incluindo a desaparecida Madeleine (ver também Maddie “assina” providência cautelar) – exigem ainda do ex-inspector da PJ que pague uma indemnização de pelo menos 1,2 milhões de euros pelas suas declarações consideradas difamatórias a propósito do desaparecimento de Madeleine.
“Estamos a pedir 1,2 milhões de euros de indemnização neste momento, mas reservamos o direito de rever este número em alta à medida que forem encontradas mais provas sobre os lucros que foram feitos com este livro,” disse ontem à Lusa o advogado da família, Ed Smethurst, para quem existem “excelentes perspectivas” acerca do resultado final do processo que os McCann iniciaram em Maio com a ajuda da advogada Isabel Duarte.
“O único argumento da campanha do senhor Amaral é que Madeleine está morta e que de alguma forma Kate e Gerry estiveram envolvidos no desaparecimento. Não há uma única prova que sustente essa teoria,” defendeu o advogado acusando Gonçalo Amaral de ter ganho “quantidades obscenas de dinheiro por vender essa teoria no seu livro e entrevistas” o que “prejudicou donativos, novas pistas, investigações, informações e testemunhos”.

A decisão do Tribunal

A decisão da juíza do Tribunal Cível de Lisboa impõe que Gonçalo Amaral, assim como as editoras Guerra e Paz e Valentim de Carvalho, fiquem proibidos de falar publicamente acerca da tese defendida pelo ex coordenador da PJ no caso Maddie – lê-se na decisão que o ex coordenador da PJ e as suas editoras ficam impedidas de “procederem à reprodução ou comentário, opinião ou entrevista, onde tal tese seja defendida ou de onde possa inferir-se”.
A decisão do tribunal refere ainda que as editoras e o autor do livro ficam proibidos de “procederem à citação, análise ou comentário expressos, verbalmente ou por escrito, de partes do livro ou do vídeo que defendam a tese da morte ou da ocultação do corpo” de Madeleine pelos seus pais.
Isabel Duarte, advogada dos McCann, – que no passado se ilustrou na defesa de diversos profissionais da comunicação social, em particular do semanário Expresso – obteve ainda do tribunal que todos os exemplares do livro e do DVD com o documentário nele baseado “que ainda restarem nas bancas ou noutros depósitos ou armazéns” sejam retirados da venda, recolhidos e entregues a uma depositária. O documentário inspirado no livro de Amaral foi visto por mais de seis milhões de pessoas aquando da sua primeira difusão na TVI.
Nos termos da decisão do tribunal, as editoras visadas ficam também impedidas de executarem novas edições do livro ou do vídeo, assim como de “outros livros e/ou vídeos que defendam a mesma tese e que sejam destinados à comercialização ou divulgação por qualquer meio em Portugal” –  um detalhe que pode dar origem a outros processos já que o 24horas apurou que uma outra editora portuguesa tem em preparação um novo livro acerca do caso Maddie.
Caso não sejam respeitadas estas proibições, as editoras podem ser obrigadas ao pagamento de uma sanção pecuniária de mil euros por cada dia.
Apesar do processo judicial ter corrido com carácter secreto – “para prevenir a inutilidade da decisão a obter,” como disse a advogada Isabel Duarte numa nota enviada à agência Lusa, os livros de Gonçalo Amaral eram procurados ontem nas bancas, quer em Portugal quer no estrangeiro .

Duarte Levy & Miguel Ferreira no 24horas

veja o texto da decisão

(1)

(1)

(2)

(2)

One Comment
  1. maria permalink
    13/09/2009 14:54

    Ainda acham que não estamos em ditadura????????????

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: