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“Maddie, A Verdade da Mentira” vai continuar à venda

10/09/2009

O livro Gonçalo Amaral vai continuar à venda

O livro Gonçalo Amaral vai continuar à venda

Español

A decisão da juíza Amélia Puna Loupo de proibir a venda de “Maddie, A Verdade da Mentira”, para já, não vai ter efeitos directos na venda do livro ao público, tanto em Portugal como no estrangeiro. Isto porque o processo de gestação da providência cautelar não foi completo, tal como assume a advogada que representa a família McCann no caso.
Isabel Duarte lembra que “o processo correu com carácter secreto, até agora, para prevenir a inutilidade da decisão a obter”.
A ser assim, terão de ser ouvidas as outras partes – Gonçalo Amaral (na qualidade de autor), a Guerra e Paz (editora do livro) e a Valentim de Carvalho (responsável pela divulgação do vídeo pela TVI). Como se não bastasse, correm ainda prazos que permitem a estas três entidades deduzir oposição (10 dias) ou de recorrer junto do Tribunal da Relação de Lisboa (30 dias) contra a decisão da magistrada da 3ª Secção Cível da 13ª Vara de Lisboa. “Até sermos notificados, continuaremos a vender o livro. Quando formos notificados logo veremos,” disse ontem fonte do gabinete de relações públicas da editora Guerra e Paz, citada pela Lusa.
A acção cautelar determina a proibição de as editoras venderem os livros e os vídeos “que ainda restarem nas bancas ou noutros depósitos ou armazéns, e a obrigação de recolherem (os exemplares) e entregarem à depositária”.
“O valor da decisão é efectivo, mas a decisão não é definitiva, porque a(s) parte(s) contrária(s), de acordo com o princípio do contraditório, têm oportunidade de se pronunciar”, explicou ao 24horas o advogado António Pinto Pereira.
Se Amaral e as editoras apresentarem argumentos que convençam a juíza de que a decisão acarreta prejuízos graves e irreparáveis, “isso pode representar a suspensão da eficácia da decisão tomada na providência cautelar”.
Tal como estão as coisas, Pinto Pereira tomaria “uma decisão híbrida”: não fazer mais edições, nem esvaziar stocks em armazém, mas também não recolher os livros que já estão no mercado até que um tribunal superior se pronuncie.
Caso o tribunal superior decida em favor de Amaral e das editoras, estes podem mesmo avançar com pedidos de indemnização contra os McCann (pelos eventuais prejuízos causados) e, a título pessoal, contra a própria juíza Amélia Puna Loupo (por decisão ilegal causadora de prejuízo grave).

Lá fora tudo na mesma

“Maddie, De waarheid achter de leugen”, capa da edição na Holanda

“Maddie, De waarheid achter de leugen”, capa da edição na Holanda

“Não fomos notificados ou sequer informados da decisão do tribunal em Portugal, mas vamos continuar a vender o livro,” disse Isabelle Mazzaschi, representante da Bourin Éditeur que distribui “Maddie, l’enquête interdite” (Maddie, o inquérito proibido – titulo francês do livro de Gonçalo Amaral) em França, na Bélgica, na Suíça e no Luxemburgo.
Em Paris, Bruxelas e Genebra, a versão francesa do livro do ex-coordenador da Policia Judiciária (PJ) continuava ontem à tarde disponível nos principais pontos de venda apesar da decisão inédita do tribunal português já ser noticia naqueles países.
“O livro vai continuar à venda até que sejamos notificados pela justiça francesa,” confirmou Isabelle Mazzaschi em declarações ao 24 horas, acrescentando que “a decisão portuguesa não tem qualquer valor em França”. E tem razão.
Segundo Pinto Pereira, “fora do país a decisão é completamente ineficaz, porque não se pode ofender o princípio da territorialidade e da soberania dos outros Estados”.
Também o editor TM Publishers, que distribui o livro na Holanda e área flamenga belga, disse ao 24 horas que o livro de Amaral continuará a ser comercializado.
Satisfeito com a publicidade em torno da decisão do tribunal, este editor decidiu colocou a capa do livro – “Maddie, De waarheid achter de leugen”, titulo em holandês – na página de entrada do site www.tmpublishers.nl.
“O livro esteve no top 10 dos livros mais vendidos e teve uma excelente aceitação junto do público,” reconheceu o porta-voz do editor, sublinhando que “essa não é uma decisão lógica, nem normal, num país europeu”.
“O livro já está à venda há muito tempo e sem uma decisão da justiça no nosso país não vamos alterar nada,” garantiu.
Todos os editores estrangeiros de “Maddie, a Verdade da Mentira”, contactados pelo 24horas, recusam-se a retirar o livro das bancas sem uma decisão da justiça local, mas reconhecem que vão contactar os seus advogados e o editor português para decidirem qual será o futuro do livro.

Duarte Levy & Joaquim Eduardo Oliveira no 24horas

Entre os mais vendidos

De acordo com a editora Guerra e paz, o livro “Maddie, A Verdade da Mentira,” vendeu só em Portugal (existem edições na Bélgica, Holanda, França, Espanha, Luxemburgo, Itália, Suíça, Alemanha e Dinamarca) cerca de 175 mil exemplares (contabilizando os exemplares comercializados com o jornal “Correio da Manhã”), um número elevado quando comparado com outros autores portugueses em dados de vendas em 2008. “A vida num Sopro”, de José Rodrigues dos Santos, foi o ano passado o livro português mais comercializado, com 115 mil exemplares, seguido de “A Viagem do Elefante”, de José Saramago, com 100 mil.
Entre os campeões das vendas está “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, que atingiu os 370 mil exemplares vendidos.
Ao preço de capa de 13,30 euros, o livro de Gonçalo Amaral já rendeu 2,3 milhões de euros – os lucros são repartidos entre a editora e uma percentagem mais pequena para o autor.

2 comentários
  1. ana permalink
    11/09/2009 14:31

    Eu já li o livro na net.
    Mas já agora, vou comprá-lo e dizer a toda a gente para comprá-lo, só para mandar lixar os mentirosos dos McCann.
    Espero que o Dr. Amaral continue a lutar e ganhe todos os processos contra esses ranhosos.
    Aliás, ele também havia de processá-los no lindo país deles…

Trackbacks

  1. Gonçalo Amaral continua a falar sobre Maddie « Duarte Levy…

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