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Negócios da família de Sócrates são “teia de aranha”

07/09/2009
Também no 24horas: "Quem é o outro primo de José Sócrates com negócios em Angola"

Também no 24horas: "Quem é o outro primo de José Sócrates com negócios em Angola"

Investigadores do caso Freeport atentos às ligações das empresas Pinto de Sousa.

Até ao momento nem a PJ nem as autoridades inglesas encontraram algo que possa tramar José Sócrates. Mas a familia negoceia bastante…

A carta anónima que a Policia Judiciária recebeu e que acusa José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, de ter sido o intermediário nos alegados pagamentos de “luvas” no caso Freeport relançou o interesse dos investigadores, portugueses e ingleses, nas empresas da família do primeiro-ministro. E também nos negócios do anglo-indiano Matt Merzougui, um dos fundadores da holding Mecaso.
A Mecaso, uma sociedade gestora de participações sociais que a mãe de José Sócrates criou em 1999 com o sobrinho José Paulo Bernardo (ver texto aqui), o filho e irmão de Sócrates, António Pinto de Sousa, e Matt Merzougui, é hoje dirigida pelo irmão do primeiro-ministro.
A lista de accionistas e sócios da empresa revela que o tio de Sócrates tem 74,80% do capital, contra 24% para Bernardo e três participações de 0,30% pertencentes a Ana Cristina Esteves Sarreira, Pedro Bernardo Pinto de Sousa e Joaquim Pires Gil.
De acordo com os investigadores da PJ, a Mecaso é apenas o ponto de partida para uma verdadeira “teia de aranha” de empresas em Portugal, com interesses no estrangeiro, onde se encontram repetidas vezes os nomes da família de José Sócrates.
Se quatro dessas empresas estão directamente ligadas à Mecaso, em muitas outras aparecem os nomes do tio, António Pinto de Sousa, e dos dois primos: José Paulo Bernardo Pinto de Sousa e Pedro Bernardo Pinto de Sousa.
A Mecaso tem uma participação maioritária de 50,9% na Fictícia – Confecções Lda., empresa criada em Julho de 2001 e que tem como dois outros sócios os mesmos António Pinto de Sousa e Ana Cristina Esteves Sarreira.
Uma empresa oficialmente inactiva, a António Pinto de Sousa, Lda., é detida em partes iguais pela Mecaso e pela MANZEP – SGPS, SA (esta com duas outras participações de empresas da família), que é gerida pelo próprio António em conjunto com José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, Pedro Bernardo Pinto de Sousa e por uma outra empresa, a António Ribeiro & Irmão, Lda., como sócio-gerente.
A Mecaso detém ainda 50% da Merzougui & Sousa, Gestão Hoteleira, Lda. – com os restantes 47% nas mãos de Matt Merzougui e 3% pertencentes a José Paulo Bernardo Pinto de Sousa – e 50% da Coutada – Artigos de Caça e Pesca, Lda.
A partir daqui os negócios da família perdem-se numa autêntica “teia de aranha”…

Tem interesses em vários países

Se as ligações entre as empresas do tio e dos sobrinhos de Sócrates se têm revelado complicadas para os investigadores, quer em Portugal quer no Reino Unido, a participação de Matt Merzougui nos negócios da família é um verdadeiro ponto de interrogação. Merzougui é um cidadão britânico de origem indiana que se apresenta como um profissional independente nos sectores do petróleo e energia.
Fonte ligada à investigação do caso Freeport adiantou ao 24horas que o cidadão inglês é citado em relatórios financeiros de empresas britânicas mas também em documentos bancários detectados em paraísos fiscais onde as autoridades portuguesas e inglesas se têm deparado com inúmeras dificuldades.
“Temos conhecimento de movimentos financeiros em entidades bancárias no Mónaco com ligação a Lisboa, a Londres, ao Luxemburgo e a paraísos fiscais onde estão empresas offshore da família do primeiro-ministro,” adiantou a fonte ao 24horas.
“Até ao momento, não existem documentos que impliquem directamente José Sócrates,” sublinhou.

Duarte Levy no 24 horas

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