Skip to content

Barroso em dificuldade na Comissão Europeia

03/09/2009

Barroso anuncia programa com objectivos sociais para garantir reeleição

Barroso anuncia programa com objectivos sociais para garantir reeleição

O mandato do presidente da Comissão Europeia termina a 31 de Outubro mas Durão Barroso corre o risco de não ser eleito se esperar até lá. É por isso que o português quer ser reeleito já a 15 ou 16 de Setembro, durante a sessão plenária em Estrasburgo, antes do novo referendo irlandês ao tratado de Lisboa, a 2 de Outubro.
Barroso sabe que o seu posto está em risco e para convencer os eurodeputados avança hoje em Bruxelas com a apresentação das linhas políticas para os próximos 5 anos. O presidente da Comissão sabe que a sua reeleição é mais fácil com o voto da maioria simples dos deputados presentes em Setembro – como prevê o Tratado de Nice – do que com a maioria absoluta dos deputados inscritos como exige o tratado de Lisboa e que seria de aplicação caso os irlandeses votem o Sim.

Leia o PDF “Orientações Políticas para a próxima Comissão”

Uma manobra difícil – mas não impossível – porque até agora só os membros do grupo do Partido Popular Europeu (PPE), do qual fazem parte PSD e CDS, manifestaram o seu apoio para um voto em Setembro, uma decisão que depende do resultado da conferência dos presidentes de grupo do a 10 de Setembro.
Se Durão Barroso tem o apoio dos principais chefes de Estado da União Europeia, o mesmo não acontece junto dos deputados no Parlamento Europeu onde o presidente da Comissão é severamente criticado pelos magros resultados do trabalho efectuado durante a legislatura que agora se termina mas também pela sua política de desregulação.
Antes do contacto com os deputados europeus, a 8 e 9 de Setembro, Barroso apresenta hoje aos grupos políticos do Parlamento Europeu (PE) as linhas políticas do seu para os próximos cinco anos. Um programa muito diferente do anterior onde a equipa de Barroso promete dar prioridade aos temas sociais, ao desemprego e à luta contra a recessão – uma resposta às inúmeras críticas que foram feitas ao presidente da Comissão no momento mais alto da crise económica.
Um programa virado para o Social vai cativar o voto dos liberais e dos socialistas, evitando assim que a sua reeleição possa depender do apoio dos eurocépticos ingleses, polacos e checos – Durão Barroso sabe que os votos dos conservadores do PPE estão garantidos mas socialistas e liberais apresentaram uma lista de preocupações e exigem da equipa de Barroso mais empenho na resolução da crise económica e financeira. Contra a reeleição do português, que qualificam de “ultraliberal”, estão os Verdes e a Esquerda radical.

As datas do presidente Barroso

3 Setembro: Durão Barroso antecipa-se e apresenta as linhas prioritárias do seu programa para os próximos 5 anos. O português tem de convencer à esquerda e para já só tem o apoio garantido dos conservadores do grupo do Partido Popular Europeu – o grupo do PSD e do CDS.
8 e 9 Setembro: O presidente recebe os grupos políticos do Parlamento Europeu.
10 Setembro: Conferência dos presidentes de grupo do Parlamento. Talvez a data mais importante para Barroso já que os presidentes vão decidir se o voto de reeleição é colocado na agenda de trabalhos para a sessão plenária de Setembro em Estrasburgo como o pretende o português.
15 e 16 Setembro: São as datas prováveis e possíveis do voto de reeleição de Durão Barroso.
27 Setembro: Eleições legislativas na Alemanha. Durão Barroso sabe que o resultado final pode influenciar o voto dos eurodeputados na sua reeleição.
2 de Outubro: Referendo irlandês ao tratado de Lisboa.

Duarte Levy

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: