Skip to content

Condenação de Gonçalo Amaral foi tão atípica quanto o processo

24/05/2009

Acórdão de Faro não coloca em causa a credibilidade de Gonçalo Amaral no caso Maddie

Acórdão de Faro não coloca em causa a credibilidade de Gonçalo Amaral no caso Maddie

EnglishEspañol

O acórdão final do julgamento do chamado “caso Leonor Cipriano”, onde foram condenados dois dos cinco inspectores e ex-inspectores da Policia Judiciária (PJ), acabou por se revelar tão atípico quanto o processo: o tribunal de Faro considerou provada a prática de tortura mas não indicou quem foram os alegados agressores.
Durante todas as sessões do tribunal não foram apresentadas testemunhas dos alegados actos de tortura e o acórdão final acabou por se basear nos relatórios dos peritos médico-legais feitos, não a partir de um exame físico a Leonor Cipriano, mas sim das fotografias publicadas anos antes pelo Expresso e cuja autenticidade ainda oferece dúvidas.
Dada a importância atribuída às fotografias é aliás de estranhar que o tribunal não tenha tido em conta as dúvidas que ainda persistem quanto à sua origem. Dúvidas que poderiam ter sido ultrapassadas caso a defesa tivesse sido autorizada a entender o ex-jornalista que esteve por detrás da sua divulgação, hoje bastonário da Ordem dos Advogados – com a astuciosa decisão de colocar a Ordem como assistente no processo, Marinho Pinto mantinha assim o controle do que decorria no Tribunal de Faro e, ao mesmo tempo, escapava ao interrogatório.
Pela leitura do acórdão final depreende-se aliás que o tribunal sustentou a sua decisão nas fotografias, credíveis ou não, já que se encontrava na impossibilidade de se basear em Leonor Cipriano que durante o processo prestou inúmeros depoimentos contraditórios confirmando assim a análise feita pelo perito Paulo Sargento que a descrevia como mentirosa compulsiva.
Leonor alterou por diversas vezes a sua versão acerca da maneira como teria sido agredida, os dias e as horas, mas também o local onde tudo teria ocorrido e até acerca dos seus agressores: um dia implicava directamente o ex-coordenador Gonçalo Amaral, no dia seguinte confessava que nem o vira no dia dos interrogatórios.
Paulo Pereira Cristóvão, Leonel Marques e Paulo Marques Bom, acusados da prática de tortura, foram inocentados enquanto António Cardoso e Gonçalo Amaral foram condenados a penas suspensas: dois anos e três meses e um ano e seis meses de prisão, respectivamente.

O efeito “bola de neve”

O relatório de António Cardoso, que lhe valeu a sua condenação, e no qual o inspector apenas descrevia de que maneira Leonor Cipriano caiu nas escadas, não passou pelo laboratório da policia cientifica onde um perito teria descoberto uma falsa assinatura, a alteração da data ou mesmo a substituição de passagens do texto: o juiz-presidente Henrique Pavão, em nome do colectivo, ao entender como provada a tortura retirava automaticamente o valor do relatório de Cardoso – se existia tortura o relatório tem de ser falso.
É neste contexto que o ex coordenador da PJ, Gonçalo Amaral, acaba por ser condenado: dizer que existiu tortura, é afirmar que Cardoso mentiu ao escrever o seu relatório de serviço, então – diga verdade ou mentira – Amaral tinha de ser condenado. Não seria esse o objectivo inicial?

— Como dizem os franceses “c’était Q.F.D.”

Veja a análise de Luis Filipe Carvalho na SIC

5 comentários
  1. Mini Boi permalink
    08/06/2009 09:51

    Com juris à boa maneira Inglesa, vê-se logo que a Inglaterra tem mão nisto.
    Já para não falar da mão dos McCann que pagaram ao advogado de acusação para tentar tramar Amaral de qualquer forma possivel, o advogado até admitiu que foram os McCann que o pagaram; uma das estratégias dos McCann era tentar convencer os outros investigadores da PJ a falarem contra Amaral em troca de se safarem a eles prórpios, mas os investigadores recusaram.

    Eu apoio as forças da lei, aqueles que gostam muito de apoiar criminosos são uns grandes montes de merda.

    • Vinicius permalink
      09/07/2009 18:08

      É isso ae! Eu tenho plena convicção, que por mais maracutais que os ingleses façam para encobrir o caso Maddie, justiça será feita de qualquer forma!

      Gonçalo Amaral é um homem honesto, que “botou a cara a tapa” enquanto os McCann são covardes, só falam através do seu porta voz. O q isso ja é um indício de culpa.

  2. Mini Boi permalink
    08/06/2009 05:47

    ttp://news.sky.com/skynews/Home/World-News/Madeleine-McCann-Former-Police-Chief-Goncalo-Amaral-Given-Suspended-Jail-Term-Over-Unrelated-Case/Article/200905415287142?lid=ARTICLE_15287142_MadeleineMcCann:FormerPoliceChiefGoncaloAmaralGivenSuspendedJailTermOverUnrelatedCase&lpos=searchresults

    “Three officers were cleared of torture but Mr Amaral was found guilty of falsifying documents and given an 18-month suspended sentence.”

    O maior canal de noticias Inglês DIFAMA Gonçalo Amaral, publicando que Gonçalo amaral foi condenado por “falsificar documentos”.
    Esta é uma oportunidade UNICA de processar este canal de TV Inglês que sempre protegeu os McCann desde o 1º momento e sempre disse mal da polícia Portuguesa e de Portugal.

Trackbacks

  1. Tribunal diz que Leonor Cipriano mentiu e solicita inquérito judicial « Duarte Levy…
  2. Gonçalo Amaral’s condemnation was as atypical as the process « Duarte Levy..

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: