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Caso Leonor Cipriano: júri já deliberou sentença dos cinco inspectores da PJ

21/05/2009

Termina amanhã no Tribunal de Faro, com a leitura do acórdão pelo juiz presidente, o julgamento dos cinco inspectores e ex-inspectores da Polícia Judiciária (PJ) – entre os quais figura Gonçalo Amaral – acusados de alegadas agressões a Leonor Cipriano.
Depois de o tribunal de júri ter deliberado sobre a sentença dos cinco arguidos, e passados oito meses desde a data de início do julgamento – a 27 de Outubro de 2008 – coloca-se assim fim a um dos processos mais atípicos da justiça portuguesa.
Foram necessárias 14 sessões para chegar à conclusão de um processo onde a própria Ordem dos Advogados se envolveu, o que impediu que o seu bastonário fosse entendido acerca da origem e autenticidade das imagens que alegadamente testemunhavam das agressões.
Apesar da própria Leonor Cipriano ter confirmado na primeira sessão do julgamento que não sabia quem eram os autores das suas alegadas agressões, o Ministério Público, depois de o processo ter estado “adormecido” durante anos, decidiu avançar com a acusação àqueles cinco profissionais da PJ.
Magistrados que estiveram envolvidos no processo chegaram a admitir “não saber quem eram os inspectores a acusar,” o que não impediu o Ministério Público de constituir arguidos os cinco inspectores e ex-inspectores da Polícia Judiciária: três são acusados de crime de tortura, um é acusado de crime de falso testemunho e de omissão de denúncia e um quinto é acusado do crime de falsificação de documento.
Os cinco arguidos são: Paulo Pereira Cristóvão, conhecido pela captura dos gangs da CREL e do Multibanco II; Leonel Marques, investigador dos casos de terrorismo das FP25 e das Brigadas Revolucionárias, Paulo Marques Bom, do “caso Passerelle”; Nunes Cardoso, do combate ao banditismo em Lisboa; e Gonçalo Amaral, ex-coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão.

Ultima tentativa para influenciar a deliberação do júri

Nas últimas semanas, Marcos Aragão Correia – o advogado de Leonor Cipriano – fez todos os possíveis para manter o caso na comunicação social: primeiro o advogado serviu de intermediário para que Leonor pudesse dar uma entrevista do interior do estabelecimento prisional e, quatro dias antes da leitura do acórdão, pediu a abertura de um novo inquérito ao desaparecimento de Joana e a absolvição da mãe da menina.
O advogado, conhecido pelas suas ligações ao caso Madeleine McCann e pelas suas polémicas manobras durante o processo, obteve uma confissão escrita pela mão do irmão de Leonor, João Cipriano, em que este admite ter vendido Joana.
Também ele a cumprir uma pena de prisão no âmbito do caso Joana, João Cipriano terá sido constrangido a escrever aquela confissão depois de o advogado o ter feito acreditar que ele seria assassinado no interior da cadeia pelos alegados compradores da menina.

Inspectores abandonaram queixa contra Leonor

Em Novembro de 2005, depois de um processo onde “os inspectores foram sempre tratados [pelo DIAP] como arguidos e nunca como queixosos”, os dez profissionais da PJ que estiveram envolvidos na investigação do caso Joana acabam por desistir de uma queixa por difamação contra Leonor Cipriano por esta os ter acusado de agressões no decorrer dos interrogatórios.
Depois das acusações feitas pela mãe de Joana, os inspectores foram sujeitos a um processo de reconhecimento mas nenhum foi identificado por Leonor Cipriano como sendo autor das alegadas agressões:

  • Durante o julgamento do caso Joana, três inspectores foram chamadas a prestar declarações e Leonor Cipriano nunca os apontou como sendo os autores das alegadas agressões;
  • Um inspector com 58 anos foi automaticamente retirado do processo dado o facto dos autores da alegada agressão – segundo Leonor – terem idades compreendidas entre os 30 e os 38 anos.
  • Leonor inocentou os dois inspectores que faziam o seu transporte de entre o Estabelecimento Prisional de Odemira e Portimão;
  • Dos restantes quatro inspectores, Leonor Cipriano apenas reconheceu dois, confirmando no entanto que estes nunca a tinham agredido.

Em 2005, apesar de ter sido confrontada com todos os inspectores da PJ que participaram nas investigações, Leonor Cipriano nunca identificou nenhum como sendo o autor das alegadas agressões. Facto que levou na altura o advogado António Colaço a informar a juíza encarregue do processo que os inspectores tinham decidido desistir da queixa contra Leonor Cipriano assim como das queixas contra o Expresso e o autor da noticia das alegadas agressões, o actual bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.

6 comentários
  1. marie(f) permalink
    22/05/2009 09:50

    Comme toutes celles qui ont déjà écrit ici , je tiens a affirmer toute ma solidarité a ces 5 inspecteurs de la PJ qui ont fait leur travail et qui essayent de continuer a bien le faire, meme si quelques uns ont jeté l’éponge et on comprend pourquoi!

    As esposas desses homems : Couragem e Força , a justiça nao pode ser cega!!!

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