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“Os pais de Maddie fazem um show para camuflar a sua mentira”

13/05/2009

Capa de L'Illustré

Capa de L'Illustré

O polícia português responsável pelo inquérito sobre o desaparecimento da menina é categórico:  Maddie morreu e, apesar da sua aparente angústia, os seus pais estão implicados. Num livro explosivo, “o inquérito proibido”, conta como, devido a pressões políticas, foi impedido de demonstrá-lo. Um trabalho de Christian Rappaz na revista “L’Illustré” publicada hoje na Suiça. Tradução do original.

O inquérito da sua vida. Ocupou Gonçalo Amaral dia e noite, entre as 22 horas de 3 de Maio de 2007 e 2 de Outubro de 2008, data da sua saída para a reforma antecipada: o processo Madeleine ( Maddie ) Beth McCann. Uma menina inglesa de 3 anos desaparecida do apartamento de férias da Vila da Luz, Algarve, enquanto os seus pais jantavam num restaurante do complexo hoteleiro, a umas dezenas de metros.

Amaral tem agora 50 anos. Filho de trabalhadores, quinto irmão de seis crianças, ele mesmo pai de duas raparigas de 4 e 9 anos. Teve de  deixar as suas funções de inspector porque, diz, “em Portugal e noutros lugares, a politização da polícia obstrui o trabalho desta e impede que justiça seja feita. Como no processo Maddie, cada vez mais inquéritos são asfixiados ou arquivados antes do seu fim.” É desde então consultor judicial na televisão, cronista num grande diário português e ensina criminologia.

Gerry e Kate McCann, os pais de Maddie, ambos médicos, transformaram em drama planetário o desaparecimento da sua filha há dois anos ( ler artigo em anexo ). De David Beckham  a Cristiano Ronaldo passando pelo papa Bento XVI, organizaram uma enorme mobilização e criaram um fundo de apoio que atingiu 6 milhões de francos (suíços) em três dias.

Gonçalo Amaral foi afastado do inquérito que a polícia lusitana arquivou oficialmente em 21 de Julho de 2008. Mas Amaral reencontrou a liberdade: a de contar a sua versão, a sua convicção. A sua palavra de polícia.

Quais são os elementos que vos permitem acusar com tanta convicção os pais de Maddie de mentirem ao planeta inteiro?
Há muitos. Primeiro, tal como os dos seus amigos, os seus testemunhos e as suas declarações revelam um grande número de imprecisões, incoerências e contradições. Há seguidamente o odor de um cadáver confirmado pelos cães pisteiros e a existência de vestígios de sangue atrás do sofá do apartamento confirmados pelas análises preliminares. Pode-se presumir que a menina caiu atrás deste móvel, talvez devido a que os seus pais lhe administravam regularmente sedativos, como de resto reconheceram. O mesmo na constatação de odores e vestígios de sangue no automóvel alugado pelos McCann três semanas após o desaparecimento de Madeleine. O único dos onze automóveis controlados que reteve a atenção dos cães. Há igualmente o testemunho de um casal de Irlandeses que afirma ter visto Gerry McCann com uma criança nos braços na noite dos factos. Por último, há as impressões digitais de Kate McCann na janela do quarto de Madeleine o que indica claramente que ela abriu esta janela, sem dúvida para fazer crer na tese de rapto, enquanto declarou que a janela já estava aberta aquando da sua chegada ao local às 22 horas, hora à qual constatou o desaparecimento de Madeleine e deu o alarme.

A intervenção de Gordon Brown?

É a sua verdade, que não é apoiada por nenhuma prova…
Não é a minha verdade, são as conclusões de um inquérito efectuado durante catorze meses por mais de uma centena de polícias e especialistas. No que respeita aos factos, os resultados indicam que as amostras analisadas coincidem a 75% ao perfil ADN de Madeleine.

Porquê, então, todos os índices não constituem provas suficientes?
Porque estes resultados necessitavam, ainda, de confirmação e teria sido necessário proceder a outras investigações com base nestes dados. Os últimos sem dúvida. Pode-se, por exemplo, perfeitamente imaginar o corpo de Maddie dissimulado num congelador entre 3 e 27 de Maio. Tudo isto devia ser completamente investigado. Infelizmente, foi neste momento que surgiu a vontade de arquivar o caso e em que fui afastado. Em que o caso foi realmente asfixiado.

Por quem e porquê?
Boa pergunta. A pôr ao ministério público português. Houve discussões entre o primeiro ministro britânico Gordon Brown e o primeiro ministro português José Sócrates. Que conversaram, o que decidiram? Mistério…

No seu livro, vai até ao ponto de sugerir que a adesão da Inglaterra ao Tratado de Lisboa foi sujeita ao arquivamento do processo?
Não afirmo nada, digo simplesmente que circularam rumores neste sentido.

“Espero, impotente, a queixa dos  McCann”

São acusações particularmente graves e haverá uma imensa responsabilidade se porventura a tese dos pais se verifique …
Não se verificará. Maddie morreu, os seus pais sabem-no. O seu comportamento demonstra-o. Após ter posto em cena o rapto, imediatamente fizeram passar a tese de rapto junto dos meios de comunicação social sem aceitar outra hipótese. A esse respeito, conhecem-se muitos pais que, enquanto a sua filha supostamente foi raptada, contratam um chefe de comunicação antes de um advogado? Recordo-me igualmente de uma declaração de Kate McCann à imprensa, feita alguns dias após o drama: “dentro de dois anos, reencontrar-nos-emos ainda para procurar Maddie.” Como podia mostrar-se tão categórica? Por último, porque deixaram quase imediatamente, Portugal após ter sido postos sob investigação,  enquanto as investigações que financiavam com o fundo de apoio prosseguiam?

Porque mentiriam e demonstrariam tal cinismo?
Porque cometeram uma falha deixando as suas crianças sozinhas e foram ultrapassados completamente pelo arrebatamento mediático que eles mesmos provocaram. Assim dito, a simulação de rapto é algo habitual neste tipo de caso. As estatísticas provam-no. Desde 1960 até  aos nossos dias, na Inglaterra – mas estão muito próximas em qualquer país ocidental, constataram-se 1528 homicídios de crianças. Oitenta e quatro em cada cem deles mostram a intervenção dos pais e mesmo em  96%  alarga-se aos parentes. Na grande maioria dos casos, os pais inventam uma história de rapto.

O porta-voz dos McCann tem evocado a ideia de uma queixa contra si ?
Espero-o com impaciência desde a saída do meu livro em Portugal, há um ano. Isso permitiria reabrir o inquérito e explicar-me com eles perante um tribunal. Mas os pais de Maddie não têm visivelmente desejo de que a verdade apareça.

Acusam-no de querer ganhar dinheiro às custas da filha deles…
O argumento é fácil e demonstra que não têm muitos outros. Não é verdade. Escrevi este livro de modo a que a opinião pública possa tomar conhecimento dos bastidores deste inquérito e as suas conclusões. Fui obrigado a abdicar, mas quis defender a verdade e os valores que foram os meus ao longo de todos os meus vinte e sete anos passados na polícia. Hoje, o processo Maddie está arquivado e os seus pais não têm nenhum desejo que seja reaberto. Pessoalmente, agi como a minha consciência pedia.
A minha missão está terminada.

Leia esta entrevista, na sua integralidade, na edição à venda ou nos arquivos do “l’Illustré”, em linha a partir da quarta-feira 20 de Maio de 2009

One Comment
  1. 13/05/2009 19:29

    “”A minha missão está terminada””

    ?????

Os comentários estão fechados.

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