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Caso Maddie é “inquérito proibido” em França

07/05/2009

Para a apresentação da versão francesa do seu livro “Maddie: A verdade da Mentira” – que em França se intitula “O inquérito proibido” – Gonçalo Amaral respondeu às perguntas de Jacques Pradel no programa de rádio “Café Crimes” na “Europe 1”. A entrevista, cuja transcrição publicamos, foi igualmente acompanhada por Georges Moréas, Comissário honorário da policia judiciária francesa.

00.28 Jacques Pradel: Bom dia a todos. Bem-vindos. Como habitualmente “ Café Crime ” está disponível a partir desde este momento no  (telefone)  para as perguntas e reacções sobre o que vai dizer-se durante esta emissão. Se está na Internet receberemos igualmente  as mensagens em Europe1.fr.

E dois anos, dois anos após o desaparecimento, em Portugal, da pequena Maddie,  numerosas zonas sombrias continuam a cercar as circunstâncias deste caso, que tomou em alguns meses uma amplitude planetária. O caso ainda não está resolvido. O inquérito foi fechado, oficialmente.

01.04 os pais de Maddie, num momento tornados suspeitos, voltaram a Inglaterra branqueados. Continuam actualmente a privilegiar a tese de rapto e para marcar este aniversário, o coordenador da equipa de inquérito da polícia judicial portuguesa que coordenou esta equipe durante numerosos meses, o Sr. Gonçalo Amaral, decidiu quebrar o silêncio sobre os bastidores do caso. Demitiu-se para pôr preto no branco, num livro que chega hoje a França, as razões pelas quais não acredita que Maddie foi raptada.

01.38 neste livro, intitulado “Maddie, o inquérito proibido”, que chega através do editor Bourin , Gonçalo Amaral expõe as razões pelas quais pensa, em consciência e liberdade, que Maddie morreu no apartamento onde a sua família passava as suas férias no Sul de Portugal. Para ele, os pais de Maddie estão implicados. Inventaram a tese de rapto da sua filhota para fugir às suas responsabilidades com a cumplicidade, seguramente, dos outros casais britânicos que estavam também no local.

02.12 O Sr. Gonçalo Amaral é o convidado “de Café Crimes” em companhia de Georges Moréas, antigo Comissário principal da polícia judiciária, que se apaixonou, ele também, por este caso, e seguidamente teremos em linha também, nesta emissão desde Londres, a correspondente de Europe1 na Grã-Bretanha, Amandine Alexandre. Vai-nos dizer na hora o que fazem hoje os pais de Maddie, Gerald e Kate McCann. Vai também dar-nos o conteúdo de uma emissão de televisão que vai passar esta noite, em Inglaterra,  no Channel 4.

02.47 mas primeiro regressemos às circunstâncias precisas de um desaparecimento enigmático.

02.59 no sábado 28 de Abril de 2007, chegam ao aeroporto Faro, a capital da província do extremo Sul de Portugal, quatro casais britânicos acompanhados das suas crianças, e num destes casais, da avó materna. São quase todos médicos, têm o hábito de passar curtas férias juntos desde há vários anos. Neste dia embarcam num miniautocarro, posto à disposição dos turistas para percorrer os 70 quilómetros que os separavam do seu destino final, um complexo hoteleiro, o Ocean Clube, Vila da Luz, não distante da cidade de Lagos.

03.36 à sua chegada atribuíram-lhes vários apartamentos vizinhos, do rés-do-chão e do primeiro andar de uns apartamentos cujas traseiras davam para a piscina, um campo de ténis e o restaurante, “ TAPAS”. O acesso principal faz-se pelo estacionamento situado na frente da residência cercado por um muro de um metro de altura, com uma abertura a meio. Não existe nenhum sistema de vídeo vigilância ou de segurança privada. O acesso às áreas de lazer também não são controlados. A Vila da Luz é uma aldeia turística construída nos anos 60-70 e acolhe,  em maioria,  turistas britânicos.

04.16 durante a noite de 3 de Maio, os McCann jantam com os seus amigos no restaurante “ Tapas”. Pelas 22h, Kate McCann levanta-se da mesa para ir ver se as crianças, que dormem no seu apartamento do rés-do-chão da residência vizinha, estão bem. Os gémeos, com idade de dois anos, dormem profundamente nos seus berços. A porta do quarto da sua filha Madeleine, 4 anos, não está fechada, o que a  surpreende. Entra. A janela está aberta, a persiana levantada, o vento agita as cortinas entreabertas. Maddie desapareceu. Imediatamente, Kate, transtornada, retorna correndo ao restaurante para prevenir o seu marido e voltam juntos ao apartamento , acompanhados dos seus amigos que podem apenas constatar a evidência. Os quatro casais põem-se então a procurar nos arredores, e, não encontrando vestígio da menina, chamam a polícia.

05.13 na noite mesma, o director da polícia judiciária portuguesa, em Lisboa, recebe no seu telefone portátil uma chamada da embaixada da Grã-Bretanha. O seu interlocutor  pergunta-lhe se está a par do desaparecimento de uma menina britânica. Cai das nuvens e começa certamente a fazer inúmeros contactos para se informar. Durante este tempo os polícias portugueses chegam à residência no Ocean Clube. Constatam que não há nenhuma desordem na quarto onde dormia Maddie. A cama não está desfeita, não há vestígios de arrombamento, nem na janela, nem na persiana, que se abre pelo interior, nem sobre a porta. O inquérito à vizinhança permite aos polícias reencontrar testemunhos de pessoas em férias,  irlandesas,  que afirmam ter visto, um pouco antes de 22h, um homem que levava uma menina cuja descrição corresponde ao da pequenita. Tudo conduz por, conseguinte,  a fazer pensar num rapto. O alerta geral é dado a todas as polícias de Portugal.

06.17 o inquérito da PJ portuguesa permite recolher, nos dias e as semanas seguintes, centena de testemunhos mais ou menos fantasistas mas todos são verificados, sem sucesso. Muito rapidamente, os polícias dão-se conta de certas contradições, sobre a  noite, que dão os quatro casais e a mãe de Fiona Payne, a mulher do médico, que, de resto, organizou a viagem. Chama-se Dianne Webster. Tem 65 anos.

06.43 uma das mulheres afirma por exemplo, ter passado mais cedo na frente do apartamento dos McCann nessa noite. Observou que a persiana do quarto de Maddie estava fechada. Ora, Kate McCann declara que a janela estava aberta e a persiana levantada. Uma persiana que, repetimos, só pode abrir-se do interior e que não foi forçada. A cama da criança, quanto a ela, não estava desfeita como se a criança não tivesse estado lá. Intrigados os polícias portugueses constatam que o historial das comunicações dos telefones portáteis do casal McCann foi apagado. Isto não pode ser que o resultado de uma operação voluntária. Então porquê, porquê ter apagado a memória dos dois telefones enquanto uma criança acabava exactamente de ser raptada?

07.31 além disso, a pressão sobre os polícias portugueses torna-se rapidamente insuportável. Têm dificuldade em trabalhar serenamente no meio das matilhas de jornalistas vindos do mundo inteiro, enquanto o embaixador britânico se encontra no local acompanhado das grandes figuras da polícia e da justiça portuguesa. Os Polícias britânicos também vão chegar rapidamente,  igualmente para emprestar uma  mão forte no terreno, enquanto os portugueses, a reacção dizem não é a melhor, os polícias portugueses sentem-se humilhados, não serão capazes de efectuar o seu inquérito sozinhos?!

08.03 o casal McCann, pelo seu lado, faz declaração sobre declaração, frente às câmaras de televisão, e o director da PJ portuguesa declara oficialmente, embora o inquérito esteja longe de ser terminado, que se trata de um rapto. Os investigadores no terreno, eles, pensam numa qualquer outra possibilidade – a implicação dos pais McCann.

08.30 com efeito, diversos elementos desconcertantes foram constatados mas mantidos no maior segredo pelos investigadores.

08.35 fez-se de vir da Inglaterra dois cães, especializados na detecção de cadáveres e vestígios de sangue, e estes cães marcaram várias lugares no interior do apartamento – no quarto do casal e na sala de jantar – bem como fora do edifício. Mais desconcertante ainda, estes cães detiveram-se sobre o peluche da criança e sobre alguns vestuários que pertencem à mãe de Maddie. Postos na presença de um automóvel alugado pelo McCann após o desaparecimento de Maddie, marcaram igualmente odores suspeitos. Pelo contrário, não reagem ao automóvel de um suspeito britânico que vive a uma centena de metros do complexo turístico.

09.16 o inquérito centra-se ainda mais sobre os pais de Maddie quando os polícias recuperam, nos lugares marcadas pelos cães, minúsculos fragmentos orgânicos que são comparados com o ADN da família McCann. A análise é conclusiva. Indica 15 indicadores idênticos ao ADN da menina. Em França, por exemplo, são necessários 13 para confrontar um suspeito.

09.39 os McCann são postos sob investigação no início do mês de Setembro, mas são deixados livres nos seus movimentos.

09.46 entretanto o caso toma amplitude internacional. A imprensa britânica atira-se contra a incompetência da polícia portuguesa. O Primeiro-ministro Gordon Brown, ele mesmo, é contactado pelos pais de Maddie. Disse pressão? Põem-se como vítima de polícias obtusos que se viram contra a família em vez procurar a criança desaparecida. Há avistamentos no resto do mundo, e em especial em Marrocos, o que revelar-se-á, depois, ser uma verdadeira falsa pista.

10.16 um fundo de apoio é criado. Além disso, os donativos afluem de toda a parte. Um dinheiro que servirá sobretudo, para a defesa dos suspeitos.

10.29 e seguidamente é o golpe de teatro. Fim Setembro, princípio de  Outubro, novas análises ADN efectuadas por um laboratório médico-legal britânico, em Birmingham, fazem contra pé às primeiras análises. Acusa-se, uma vez mais , os polícias portugueses de terem misturado o ADN de Maddie e o dos seus pais durante a recolha das amostras. O Comissário, Gonçalo Amaral, pediu imediatamente um contra análise. “Impossível”, respondem os ingleses. Não haverá contra análise, as amostras foram destruídas ou perdidas, não se sabe bem.

11.02 Amaral não pode mais, conta-o no seu livro, esta balbúrdia mediática, a pressão das autoridades políticas, a pressão da sua hierarquia impede-o de trabalhar serenamente. É apanhado em parte pela imprensa e pelos seus confrades ingleses que lhe atiram aos pés a qualquer propósito. Exaltado, solta-se um dia durante mais uma entrevista à imprensa. Sanção imediata, a sua hierarquia aproveita a ocasião e retira-lhe a direcção do inquérito. Em duas palavras: é transferido!

11.30 Gonçalo Amaral, após vários meses de reflexão amarga, persuadido igualmente de ter tocado a verdade de muito perto com os seus colegas investigadores, mas tendo-se persuadido também de ter sido impedido de ir até ao fim, toma a única decisão que o  reconcilia com a sua honra e com a honra dos seus colegas da PJ: demite-se e explica no seu livro as razões pelas quais continua persuadido que os pais de Maddie mascararam  talvez um simples acidente doméstico num desaparecimento misterioso. Pode-se pensar, é o seu caso, dirá isso a  qualquer momento, a uma queda da pequena Maddie no seu quarto, ou ainda a uma morte devido a uma forte dose de soníferos administrados à criança para deixar os pais tranquilamente com os seus amigos no restaurante vizinho. Só uma pergunta se coloca ainda hoje neste caso:
Onde se encontra o corpo da pequena Maddie?

12.36 Jacques Pradel: Bom-dia Sr. Gonçalo Amaral

12.38 Gonçalo Amaral: Bom-dia

12.39 Jacques Pradel: Então quero dizer que há outra pessoa que participa nesta emissão, é a Sra. Paula Martins. Bom-dia. E é a tradutora.

12.47 Paula Martins: Bom-dia

12.48 Jacques Pradel: Bom-dia. Então vai traduzir os nossos, as minhas perguntas e as de Georges Moréas, bom-dia.

12.54 Georges Moréas: Bom-dia.

12.55 Jacques Pradel: Georges Moréas, por conseguinte, um antigo Comissário da polícia judicial francesa e que se apaixonou e dir-nos -á porquê dentro de um momento, por este caso. E a mim importa-me muito hoje ter um polícia com tudo aquilo que representa em experiência evidentemente e experiencia a  metro – se o posso dizer – para avançar neste, neste inquérito impossível, neste inquérito proibido como assinala o título deste livro que chega hoje a França, editado, por Bourin editor. Uma, uma primeira pergunta muito curta, Sr. Amaral. Este livro, parece-me a mim existe  há um ano em Portugal. Para si, estava em humilhação, estava em cólera, estava em qual estado de espírito quando decidiu escrever este livro?

13.45 Gonçalo Amaral: Estava num estado de espírito normal, consciente dos meus actos e não me sentido humilhado, nem frustrado. Nós, polícias, fazemos o nosso trabalho para atingir um objectivo. Temos uma maneira de trabalhar imparcial, objectiva, e o objectivo final é certamente que a justiça se faça e que se encontre a verdade. Ora, foi algo que não se pôde fazer, o inquérito foi fechado antes que se chegasse a tal, e o meu livro é exactamente uma maneira de tentar trazer à  luz a verdade e mostrar o trabalho que foi feito pela polícia. Porque acusam-nos, entre outras coisas, de ser incompetentes, passarmos muitas horas no restaurante, não se fazia nada e aí está, o resultado deste trabalho está neste livro.

14.37 Jacques Pradel: Ouais, mas eu

14.38 Gonçalo Amaral: Então, mostro-o neste livro, fomos realmente incompetentes?

14.43 Jacques Pradel: Aí está, mas estou de acordo consigo, é necessário efectivamente dizer que ao mesmo tempo , alguns dos vossos colegas britânicos e toda a imprensa britânica unanimemente  apresentou Portugal como um país do terceiro mundo incapaz de fazer um inquérito policial…

14.57 Gonçalo Amaral: Um trabalho que foi muito bem feito por um porta-voz do governo que estava com o casal , com uma intenção muito específica, ou seja, não é a polícia que nos acusa de ser incompetentes porque a investigação, o inquérito era de portugueses e britânicos. Por conseguinte, neste momento , todos o seríamos.

15.23 Jacques Pradel: Hmm Srs. Então, vamos voltar, evidentemente, aos detalhes deste inquérito e com vocês, Georges Moréas, também, dentro de um momento. Vamos fazer uma primeira pausa e retornamos ao inquérito impossível,  o inquérito proibido.

(Após a pausa)

15.45 Apresentadora: Faz hoje dois anos que a pequena Maddie desapareceu. Nesta ocasião “Café Crime” recebe um convidado especial: O inspector da polícia judiciária portuguesa que dirigiu o inquérito durante vários meses, o Sr. Gonçalo Amaral. Jacques Pradel.

15.56 Jacques Pradel: Sim e frente a ele um colega , Georges Moréas. Acabam de conhecer-se neste estúdio da Europe1. Por conseguinte, recordemos, hein, foi Comissário de polícia judicial. Por conseguinte, porque se apaixonou desde o início, sei-o, sobre este caso, você fala muito sobre ele no seu blog na Internet.

16.13 Georges Moréas: Sim absolutamente. Com efeito fui despertado à partida por… Chamou-me a minha atenção. Houve associações que informaram sobre o rapto na Internet e eu tentava informar-me, documentar-me, achei este caso absolutamente apaixonante e muito triste. E,  por conseguinte no meu blog tenho-o comentado progressivamente, e tenho muitas perguntas que aparecem no blog. E há  uma que poderia pôr directamente ao Sr. Amaral, porque aparece frequentemente, e é, com efeito: porque é que os polícias portugueses… Tem-se a impressão, de resto, também lendo o seu livro, avançaram  unicamente sobre uma só pista, a pista do rapto, afastando a priori a possibilidade de um acidente, de um assassinato, ou não sei que mais….

16.55 Gonçalo Amaral: É uma boa pergunta. É talvez esse o erro principal do inquérito. Mas foi uma decisão,  foi uma decisão estratégica da polícia, da direcção. Tinha-se medo de uma reacção dos pais ao saber que eram suspeitos. E por conseguinte tentou-se esta pista do rapto. A ideia era fazer ,por conseguinte, este inquérito sobre a base do rapto e seguidamente, se chegássemos a um impasse recuávamos para saber o que se tinha passado, o que se passou no apartamento. Bom, sabe que  era o rapto de uma pessoa e os que fizeram a inspecção, fizeram esta inspecção como se tratasse do roubo de um objecto. Procuraram-se entradas e saídas de um buraco ?????????. Não se preocuparam com o ADN, nem as impressões digitais, nem dos moradores, nem da forma como as pessoas estavam vestidas. Foi uma falha da PJ, uma falha no protocolo para casos deste tipo e actualmente já existe um protocolo de actuação em conformidade com as normas internacionais. Não se pode nunca mais abordar um caso destes como unicamente um roubo.
18.26 Jacques Pradel: Sim, mas ao mesmo tempo, Georges Moréas, como fez? Leu o livro do ano?  [rires]  dado que só apareceu hoje. Euh, observou-se mesmo assim, Sr. Amaral que, paralelamente à procura sobre o rapto, mesmo assim, sublinha as provas no apartamento sobre, uma nomeadamente muito importante, sobre a vertente a  história da persiana que se fecha e da janela aberta ou fechada, e seguidamente a chegada dos cães, que vêm dizer-vos que houve um cadáver no apartamento.

18.53 Gonçalo Amaral: Completamente. Os cães indicam-no. Houve um cadáver e verificámos também depois que, nem antes de 3 de Maio nem após 3 de Maio ninguém morreu ali. Por conseguinte, é um cadáver recente. Não há nenhuma dúvida que o sangue que foi encontrado lá seria o sangue do cadáver de Madeleine McCann.

19.14 Jacques Pradel: Sim, então, Georges Moréas, penso que fez muitos inquéritos criminais, evidentemente, durante a sua carreira. Que representa a pressão externa,  que eu já mencionei aqui,  quando ouve a toda a hora recordar a pressão, de, euh: autoridades políticas; autoridades hierárquicas; do Embaixador da Inglaterra; da imprensa… Como se sente quem dirige um inquérito nestas condições?

19.38 Georges Moréas: É terrível para os investigadores ter tanta pressão. E sobre um caso, que seja um caso de rapto ou noutro caso qualquer ,de resto. Mas num caso de rapto é pior porque se sabe, que no caso , na ocorrência, havia uma pequena criança, é a vida de uma pequena criança que pode estar em jogo. Não sei, mas o talvez Sr. Amaral possa responder : qual é a independência da polícia judicial em relação ao poder político em especial, ou à administração em geral ?

20.09 Gonçalo Amaral: Hoje em dia não há. Essa é uma das grandes perguntas, e é o que me levou a sair da polícia , afinal. Sente-se que há um grande peso político na polícia, nos inquéritos nomeadamente. É algo que é necessário alterar. Os directores, hoje, são Comissários políticos. Sempre que o governo muda o director da polícia muda.  Por conseguinte, é realmente uma dependência política que vai da parte superior à inferior da hierarquia.

20.37 Jacques Pradel: Sim. Mas exigia-se de vocês resultados rápidos?

20.43 Gonçalo Amaral: Bem pelo contrário. Recordo-me que em Setembro tínhamos já o resultado dos exames do laboratório. E quando íamos, lançávamo-nos para conhecer as causas da morte – porque é o que interessa:  as circunstâncias da morte, e se há a intervenção de terceiros ou não, ou se estamos unicamente perante um acidente ou algo diferente – fui contactado por um director da polícia que me disse que não me preocupasse porque não eram todos os casos que encontravam solução, não devia tomar tanto este caso a peito,  não havia problema se o inquérito não seguisse o seu curso. E por conseguinte compreendi, nesse momento, que o caso ia ser arquivado.

21.26 Jacques Pradel: Sim e sobretudo compreendeu, euh… pode-se falar em protecção ao casal McCann? E porquê ? Você diz no seu  livro, por exemplo, que eles obtiveram informações do inquérito que nunca deveriam ter conhecido  já que podiam ser susceptíveis de ser mesmo suspeitos.

21.46 Gonçalo Amaral: Exactamente. E de resto deveriam ter sido suspeitos. A protecção veio directamente da Inglaterra com a intervenção de Gordon Brown. Uma intervenção realmente desastrosa porque acreditou, desde o começo, neste casal e em termos políticos, depois, não pode voltar atrás. O diário de Kate McCann diz,  de resto,
“ é necessário aumentar a pressão política “.
É o que está escrito no seu diário. E tudo gira em redor deste ponto com efeito. Tiveram informações. A partir de certo momento tinham a disponibilidade dos oficiais de ligação britânicos. Os primeiros foram afastados porque, logo no  primeiro dia, perguntaram à Kate McCann onde se encontrava a sua menina, porque compreenderam que devia sabê-lo, e por conseguinte,  houve imediatamente a este momento uma pressão dos chefes destes polícias. Sofreram um procedimento disciplinar e a sua carreira está em risco.

22.54 e há outro facto. Este casal tinha reuniões praticamente todas as semanas com os directores da polícia onde eram informados de todo o andamento do caso. Não é possível!

23.06 Jacques Pradel: É como se andássemos com a cabeça , Georges Moréas, não?

23.08 Georges Moréas: É ??????? Na França, mesmo assim, não andamos assim.

23.13 Gonçalo Amaral: Em nenhum caso.

23.15 Jacques Pradel: Então vamos, vamos voltar a outros aspectos deste inquérito em pouco tempo. Vai, após uma pausa, juntar-se a nós Amandine Alexandre em Londres para fazer o ponto de situação sobre o que se passa neste dia “aniversário” dois anos após o desaparecimento de Maddie. O meu dedo mindinho diz-me, que Amandine Alexandre vai dizer-nos mais num minuto, que no decurso de uma emissão de televisão que vai passar esta noite no Channel 4 onde se vai mostrar um novo retrato robot de um novo suspeito que a família McCann diz não ter sido procurado pela polícia portuguesa.

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23.59 Jacques Pradel: Com o antigo coordenador da equipa de inquérito portuguesa, o Sr. Gonçalo Amaral, que acaba de publicar este livro em França “Maddie, o inquérito proibido” em Bourin editor. Com Georges Moréas, antigo Comissário da polícia judicial. Com Amandine Alexandre em Londres que vamos ouvir dentro de um momento. Mas primeiro um arquivo, um arquivo Europe1, data do mês de Setembro 2007. Muito precisamente a 9 de Setembro. Recordem que o desaparecimento de Maddie acontece na  noite do 3 de Maio de 2007, por conseguinte muito rapidamente os McCann estavam de regresso à Grã-Bretanha e vocês vão ouvir a  porta-voz, o porta-voz do casal, que se chama Justine McGuinness, explicar este regresso ao seu país.

24.45 Justine McGuinness: Kate e Gerry McCann regressam hoje à Grã-Bretanha com os seus gémeos, Sean e Amélie, como previsto. Querem reintroduzi-los tanto quanto possíveis na vida normal no seu país. O regresso da família faz-se com o acordo das autoridades e da polícia portuguesa. Os pais pedem, de todo o  seu coração, que as investigações para reencontrar Madeleine prossigam e que todos permaneçam vigilantes. A lei portuguesa proíbe a Kate e Gerry que façam comentários mais detalhados sobre o inquérito. Embora tenham muitas coisas a contar não podem dizer nada, excepto isto: não são absolutamente responsáveis do desaparecimento da sua amada filha.

25.38 Jacques Pradel: Então retornaremos num instante  à situação actual do casal McCann dado que,  neste momento, o inquérito está fechado. Mas Georges Moréas, dizia-mo, há pouco tempo enquanto ouvíamos este documento,  não é impossível, o casal  será sempre suspeito, numa posição de « arguidos « –

25.57 Georges Moréas: Aí está, parece que o procedimento português é muito diferente do procedimento francês.

26.00 Jacques Pradel: De acordo.

26.01 Georges Moréas: E por conseguinte não é realmente inculpação, nem uma investigação.

26.04 Jacques Pradel: Ouais.

26.05 Georges Moréas: É uma posição, poder-se-ia dizer, de  testemunho assistido.

26.06 Jacques Pradel: Testemunho assistido. O que está mais próximo de nós.

26.07 Georges Moréas: Aí está, o mais parecido possível, corresponde.

26.09 Jacques Pradel: Aí está, por conseguinte aquilo quer dizer que se houver um processo amanhã podem comparecer como testemunho assistido.

26.12 Georges Moréas: Aí está

26.13 Jacques Pradel: Então junta-se imediatamente Amandine Alexandre em Londres. Bom-dia Amandine.

26.16 Amandine Alexandre: Bom-dia.

26.17 Jacques Pradel: Então, neste dia,  “de aniversário”, é um dia de aniversário também na Inglaterra? O que é o que se passa ao redor do processo Maddie?

26.24 Amandine Alexandre: Então falou-se muito do processo Maddie, por fim, voltou a falar-se  do processo Maddie, com efeito, a partir deste fim-de-semana. Primeiro, porque Kate e Gerry McCann foram os convidados, os convidados de Oprah Winfrey, logo…

26.35 Jacques Pradel: Sim, nos Estados Unidos, sim.

26.36 Amandine Alexandre: Aí está, nos Estados Unidos. E, com efeito, foi sobre o palco  de Oprah Winfrey que revelaram, mostraram  uma fotografia de Maddie, Maddie com 6 anos.

26.45 Jacques Pradel: Sim.

26.46 Amandine Alexandre: Por conseguinte é uma fotografia que foi gerada por computador a partir de fotografias de Kate e Gerry McCann com a  idade de 6 anos.

26.52 Jacques Pradel: Sim.

26.53 Amandine Alexandre: E é verdade que desde há alguns dias se voltou a falar  – gostaria de dizer – do processo Maddie. E hoje ainda mais que nunca.

27.01 Jacques Pradel: Sim.

27.02 Amandine Alexandre: Porque esta manhã a imprensa publicava o retrato deste suspeito. O retrato robot de um homem que teria sido visto por três pessoas diferentes.

27.10 Jacques Pradel: Mm

27.11 Amandine Alexandre: E esta noite, por conseguinte, a televisão britânica vai difundir um documentário.

27.14 Jacques Pradel: Sim, eu vi porque me passaste a informação pela Internet, para ver esta fotografia do novo suspeito. Euh, “ assustador ” título da imprensa inglesa porque tem o rosto comido pelo que se chama  “pequenas verrugas ”, hein?

27.29 Amandine Alexandre: Sim é isso. Com efeito este retrato robô, de acordo com o que compreendi, de acordo com as informações recolhidas  esta manhã,…

27.35 Jacques Pradel: Sim

27.36 Amandine Alexandre: … foi elaborado a partir, sobretudo, de um testemunho. O de um turista britânico que diz que viu este homem duas vezes na frente do apartamento dos McCann e que este homem tinha uma figura hmm, que não podia passar despercebido porque tinha o rosto granizado. Descreveu-o como “ um homem muito feio ”.
27.55 Jacques Pradel: Sim, tinha a cabeça do trabalho, hein? Tinha uma espécie…

27.57 Amandine Alexandre: Sim.

27.58 Jacques Pradel: … de banana de rocker, rosto macilento, os olhos metidos, euh, nas órbitas, um grande nariz… Por último resumidamente, tinha uma boca enorme.

28.07 Amandine Alexandre: Sim, e por conseguinte diz que quando viu este homem, com efeito, teve quase medo. Passeava-se com a sua filhota e que apertou mesmo, enfim, apertou a mão da sua pequenina, porque este homem fez-lhe medo.

28.18 Jacques Pradel: Sim

28.19 Amandine Alexandre: E, euh, há duas outras pessoas, dois outros testemunhos, que dizem, elas também, ter visto bem um homem parado na frente do apartamento dos McCann e que fixava a varanda do apartamento.

28.31 Jacques Pradel: Sim, então, esta noite por conseguinte, euh, vai  haver a divulgação no Channel 4 deste documentário que ainda não viu, evidentemente. Mas sabe-se, embora  ligeiramente, sabe-se o que ele contém, ou…?

28.42 Amandine Alexandre: Então, sim, sabe-se, com efeito, que este documentário mostra Gerry McCann, por conseguinte o pai de Maddie, de regresso à Praia da Luz. Isso foi filmado no mês passado. Voltou  com dois amigos que se encontravam igualmente no local, que faziam parte dos seus amigos com os quais tinham  partido em férias e com efeito com a ajuda de uma equipa de actores,  bem, a equipa de televisão reconstituiu o desaparecimento de Maddie, o rapto de Maddie, dado que os pais de Maddie estão persuadidos que a sua filha foi raptada.

29.10 Jacques Pradel: Sim. Por conseguinte,  uma reconstituição da famosa noite, a noite do 3 para 4. Euh, regresso imediatamente Amandine. Quereria simplesmente ouvir  a reacção do Sr. Gonçalo Amaral ao que acaba de ouvir. Este retrato robot nomeadamente, este homem descrito por testemunhos, os jornais ingleses dizem que, uma vez mais, a polícia portuguesa não seguiu esta pista mas que estes testemunhos se tinham dirigido à vocês na altura. É verdade?

29.36 Gonçalo Amaral: Bom. Poderia rir se a pergunta não fosse séria porque é uma tristeza ver estas provas, entre aspas, do rapto. Porque o inquérito aos vizinhos que realizámos permitiu detectar vários suspeitos nesta zona. Investigámos toda a gente, mas é realmente triste ver que houve alguém que estava no jardim que não identificámos. Temos uma ideia da pessoa que corresponde a isso, e não falamos da pessoa que estava no jardim. Há um  Sr. que corresponde à descrição física deste camarada, David Payne, que foi visto neste local. É estranho que se ponha este tipo de coisa de lado e que se procurem retratos robôs. É necessário que continue a ser  alguém que tenha um ar mediterrânico, feio, de modo algum britânico, alguém que meta medo. É  ligeiramente a maneira de agir dos  ingleses. É ainda algo no mesmo estilo do que foi feito. E é triste.

30.50 Jacques Pradel: É isso. Bem. Então, e bem está muito claro o que disseram. Faz-se uma nova pausa e seguidamente retornamos ao processo Maddie , num momento,  com o Sr. Gonçalo Amaral e com Georges Moréas.

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31.10 e antes de voltar a dar a palavra aos meus convidados em estúdio voltamos a  Londres com   Amandine Alexandre. Euh, dizia-nos por conseguinte que a imprensa inglesa volta a falar  finalmente deste caso, bem por causa  sobretudo da emissão que o casal McCann fez nos Estados Unidos com Oprah Winfrey. Volta-se a falar  igualmente porque causa da  divulgação deste famoso retrato robô na emissão de televisão esta noite, mais esta reconstituição, por conseguinte, da noite do 3 de Maio. Mas independentemente disto, sobre a ideia de que os pais McCann poderiam estar implicados neste caso, Amandine. Que  diz a opinião pública britânica?

31.45 Amandine Alexandre: Bem, ouvem a imprensa britânica desde o mês de Julho passado, por conseguinte, desde que o inquérito português foi fechado…

31.53 Jacques Pradel: … foi fechado. Sim.

31.53 Amandine Alexandre: … aí está, euh, para a imprensa britânica os pais de Maddie são inocentes. Por último, há mais, nunca foi questionada a  culpabilidade dos pais, e, eles, bem eles, o documentário centra-se  sobre a vida dos McCann agora sem a sua menina. Euh, o facto de Kate McCann ter parado de  trabalhar para se consagrar unicamente à procura de Maddie e à casa do casal, e bem há sempre o quarto de Maddie que está lá, e no documentário Kate McCann aparentemente conta que várias vezes por dia vai ao quarto para falar a Maddie. Dizer-lhe “eis o que vamos  fazer hoje”, e que as duas crianças do casal, os gémeos, que têm agora 4 anos, falam também da sua irmã. Por conseguinte, as suspeitas que pesavam contra os McCann , não estão muito, do todo, presentes nos meios da comunicação social britânicos.

32.46 Jacques Pradel: Bem  agradeço muito por este apontamento, Amandine. Recordo Amandine Alexandre é a correspondente de Europe1 em Londres. Penso que verás televisão esta noite?!

32.55 Amandine Alexandre: Sim. Está previsto.

32.56 Jacques Pradel: Muito Obrigado, Amandine.

32.57 Amandine Alexandre: Adeus.

32.58 Jacques Pradel: Boa tarde. Euh, Georges Moréas tinha, perguntas precisamente que voltam ao, sobre o casal McCann.

33.05 Georges Moréas: Sim, porque se compreendi efectivamente, esta noite vai haver uma reconstituição com actores. Então quereria perguntar ao Sr. Amaral se após os acontecimentos, após o desaparecimento de Maddie, houve uma reconstituição em Portugal ou não?

33.22 Gonçalo Amaral: Esteve entre as primeiras diligências que tentámos efectuar, mas foi decidido superiormente que não havia condição no terreno para fazer esta reconstituição. Havia demasiados jornalistas presentes. Demasiado pessoas estavam lá em férias  e ia-se interromper as férias  destas pessoas. Era necessário fechar o espaço aéreo e por conseguinte foi dito que  a reconstituição seria feita mais tarde. Mas mais tarde, posteriormente  ao casal ser constituído arguido, colocado sobre investigação, o casal recusou-se. E os que nos substituíram, o Ministério Público agiram de uma maneira que consideramos ligeiramente estranha porque a reconstituição, havia testemunhos e suspeitos postos sob investigação,  a reconstituição não era obrigatória ser realizada na presença de todos. Mas o casal devia fazê-lo, devia voltar a Portugal mas o Ministério Público decidiu que não havia interesse em fazer esta reconstituição unicamente com o casal. E foi pena, porque hoje não teríamos todas estas confusões.

34.39 Jacques Pradel: Certamente. Mas penso que aí, aí, ainda que não estivesse mais no inquérito, dado que se demitiu, não o esqueçamos, para escrever o seu livro, os seus colegas portugueses devem olhar com muita, muita atenção a reconstituição que foi feita. Dado que todas as informações são indicações da família McCann e dos seus amigos.

35.00 Gonçalo Amaral: Vamos seguir todos juntos, porque é necessário não esquecer que esta reconstituição é fundamentada sobre três pessoas. O Sr. Gerald McCann, o Sr. Matt Oldfield e nós, e todos mentem supostamente. Por conseguinte vamos ver quem mente e esperamos que o inquérito seja reaberto. Eles esperam que não. Mas será um documento importante, mesmo para o inquérito. O documento que vai ser visto hoje, fundamentado sobre mentiras, é importante. Seguidamente é necessário ver é o  que há de trás.

35.36 Jacques Pradel: Sim. E, efectivamente compreendi que a justiça portuguesa guarda  a possibilidade de relançar o caso ainda que o inquérito esteja fechado oficialmente, agora?

35.49 Gonçalo Amaral: O inquérito não está fechado com efeito. Está arquivado à espera de melhores provas e é por isso que são ainda suspeitos, sob investigação. Porque se o caso for fechado…

36.03 Jacques Pradel: Interrompo-o exactamente.

36.06 Gonçalo Amaral: Sim.

36.06 Jacques Pradel: Sim. Perdão.

36.06 Gonçalo Amaral: É necessário, pode-se reabrir o procedimento.

36.07 Jacques Pradel: Sim, precisamente. Mas é sobre isso que queria acrescentar uma pergunta. É o que se chama em França – Georges Moréas, interrompa-me se estiver enganado – num facto novo que pode relançar um caso que está em período de prescrição, qual.

36.21 Georges Moréas: É essa a diferença. Cá não arquivamos o processo, digamos assim.

36.23 Jacques Pradel: Arquivado. Sim, aí está, é isso. Por conseguinte, um facto novo pode relançar o inquérito português.

36.28 Gonçalo Amaral: Sim, completamente. Mas é o Ministério Público que deve analisar
36.34 Jacques Pradel: De acordo.

36.35 Gonçalo Amaral: Só o Ministério Público pode decidi-lo analisando os novos factos, se os considera de interesse. Mas talvez o Procurador-geral da República deva mudar, para isso.

36.47 Jacques Pradel: Bem, sim isso é a sequência do que dizia a toda a hora. Sim, Georges…

36.51 Georges Moréas: Sim, e os pais pedem relançar o inquérito?

36.55 Gonçalo Amaral: Isso seria interessante. Mas sabe que os pais não querem inquéritos em Portugal e também não os querem na Inglaterra porque entendemos, rapidamente, que a imprensa britânica está do lado dos pais, por conseguinte não os considera responsáveis de nada, mas a população inglesa, por contra, não é completamente da mesma opinião. Há pessoas que tentam descobrir o que se passou com esta pequena menina. Não é para acusar os pais, mas querem que um inquérito seja aberto na Inglaterra porque a criança é britânica e como vocês sabem, as autoridades britânicas têm competência para fazê-lo. Mas os pais não querem inquéritos. Um inquérito policial, não querem.

37.33 Jacques Pradel: Então vamos fazer uma última pausa e passar à última parte da emissão. O tempo passa muito rapidamente. Recordo-vos que, se começa o inqu… o inquérito, a ouvir agora, falamos do inquérito sobre Maddie. “Maddie, o inquérito proibido” é o título do livro do Sr. Gonçalo Amaral, antigo coordenador, por conseguinte, das investigações sobre Maddie. Este livro aparece hoje em Bourin editor. Há muitas divulgações no interior, das quais algumas,  das quais ainda não tínhamos falado. Voltamos num momento.

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38.07 Apresentadora: Com “ Café Crimes” hoje sobre Europe1 o caso do desaparecimento da pequena Maddie. Jacques…

38.12 Jacques Pradel: Sim aí está, se duvidavam do facto de estarmos em directo, agora sabe-o. Então uma pergunta directa, imediatamente, ao Sr. Gonçalo Amaral e lá refiro-me realmente ao livro que acaba de aparecer. Fala, você diz que todos os casais se juntavam desde há vários  anos para curtas férias, algo como isso, ligeiramente exóticas e nomeadamente por conseguinte em Minorque creio, Majorque, perdão, Majorque em 2005, e eu, quando leio, compreendo que David Cayne, David Payne, perdão, assemelha-se fortemente a um pedófilo. Não escreve a palavra “pedofilia”, mas deixa entender que teria gestos desapropriados em relação às crianças.

38.57 Gonçalo Amaral: Não, não utilizo essa palavra. Falo em gestos obscenos em relação a Madeleine McCann. É uma denúncia que foi feita a 16 de Maio de 2007, na Inglaterra, 14 dias após o desaparecimento, e que chegou à polícia judiciária apenas a 26 de Outubro, posteriormente à minha saída. E nada se fez .

39.23 Jacques Pradel: De acordo.

39.24 Gonçalo Amaral: Por conseguinte, para além destes gestos, se observar efectivamente o que está escrito, ele banhava as crianças ,o que  de certa maneira é estranho. Era ele que banhava as crianças e interroga-se se não o fez com, com a  menina neste dia 3 de Maio.

39.43 Jacques Pradel: De acordo.

39.44 Gonçalo Amaral: É uma denúncia mas não há nenhum inquérito na Inglaterra. De resto dizem que já não têm o documento desta denúncia.

39.50 Jacques Pradel: Então agora, se queremos continuar na lógica que é a lógica do seu livro, onde você diz por conseguinte e  claramente  «  para mim esta menina morreu neste apartamento, os cães provaram – no, os vestígios de sangue provaram-no, e camuflou-se o que se passou com um rapto » , o que considera totalmente fantasmagórico, então isso quer dizer que todos os casais que estavam de  férias com os pais McCann são cúmplices. E entenderam-se…

40.19 Gonçalo Amaral: Digamos que, para mim, são cúmplices de negligência ou autores de negligência sobre as suas próprias crianças porque abandonaram as suas crianças durante essas noites. Crianças de 2-3 anos que estavam sozinhas nos apartamentos e até muito tarde.

40.36 Jacques Pradel: Muito tarde, sim.

40.37 Gonçalo Amaral: É algo que, em Inglaterra, pode conduzir à retirada da guarda das crianças. Então se aconteceu com  Madeleine, se o inquérito continuasse poder-se-ia ter compreendido porque mentiam eles, porque é que  Matt Oldfield mente, e porque é que várias pessoas mentem? Porque às 22h alguém no outro lado da vila vê Gerald McCann com a criança, levando a criança e outro alguém diz que a criança foi vista a ser levada por Gerald McCann mas num sentido contrário. Por conseguinte, é necessário compreender isto.

41.15 Jacques Pradel: Tem, Georges Moréas, uma convicção íntima, como isso, sobre este caso?

41.19 Georges Moréas: Bem, devo confessar que estou, estou bastante de acordo com o meu colega português Amaral porque tudo isto está cosido com fios, e compreendo muito bem que tenha um pouco – desculpa a expressão – que tenha os tomates cheios, qual.

41.34 Jacques Pradel: Sim, porque, bom, leu este livro a fundo também, hein? Por conseguinte, euh, há talvez um último ponto que é necessário fazer precisar ao Sr. Amaral. É que o acidente doméstico que imagina , peço-lhe para responder muito rapidamente – seja quer uma queda da criança para tipo, de, um  lugar, por fim, euh, eu procuro… um sofá – mas aquilo que explicou no livro – quer o facto de lhe administrarem soníferos  e aparentemente tem a prova que os pais administraram soníferos às crianças?

42.06 Gonçalo Amaral: Há um testemunho, um testemunho. Não há outras provas. A questão do acidente é muito simples. É uma pirâmide que pode ir até à morte pela intervenção de terceiros. Era uma teoria desde o inicio. A primeira hipótese, para justificar o sangue e o odor de cadáver detrás do sofá, era o acidente. Tendo em conta a posição do sofá e da janela. Mas é uma teoria. Um ponto de partida para compreender o que se passou, ou mesmo as circunstâncias, as causas da morte e se há uma intervenção ou não de terceiros. Como o casal não deixou que se fizesse alguma coisa , que se continuasse o inquérito, não pudemos desenvolver.

42.54 Jacques Pradel: Aí está. Por conseguinte, ponto de interrogação mas ao mesmo tempo um processo extremamente argumentado. Agradeço-lhe muito Sr. Amaral. Obrigado Georges Moréas. Aí está, quem deixou o seu lugar à Faustine Bollaert. Mas não, Faustine, sou necessário ainda… volto a dar simplesmente o título deste livro que acaba de aparecer hoje. Por conseguinte, “Maddie, o inquérito proibido”, as divulgações do Comissário português responsável pelo inquérito. Está em  Bourin editeur.

Pode ouvir o áudio AQUI e ler a transcrição em francês AQUI.

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