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Maddie, um “pacto” com dois anos.

03/05/2009

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Passados dois anos do desaparecimento de Madeleine McCann, a menina inglesa que alegadamente teria sido raptada na Praia da Luz, a Policia Judiciária continua sem encontrar o final para uma história que continua a emocionar dois países e onde os actores e as vítimas são ainda hoje confrontados com os factos e as teorias do caso mais mediático da história da justiça portuguesa.
Não existem provas de que Maddie esteja viva e todos os indícios conhecidos ou em segredo de justiça têm vindo confirmar a morte da criança, mas muitos continuam a interrogar-se acerca do papel desempenhado por cada um dos actores neste caso.
Unidos num verdadeiro “pacto de silêncio” face às autoridades portuguesas, como escreveu Felícia Cabrita, os nove ingleses do Tapas Bar – como ficaram aliás conhecidos – já não é hoje um grupo homogéneo e poucos são aqueles que se mantêm ao lado de Kate e Gerry McCann.

David Payne

O médico de 43 anos de idade é casado com Fiona e pai de duas crianças: Lily e Scarlet, ambas com idades entre os dois e os cinco anos. Dois anos mais tarde, o casal Payne mantém-se ao lado dos pais de Maddie e com eles afirmam partilhar a ideia de um rapto.
De todo o grupo, David e Fiona são os mais fiéis e, segundo uma fonte próxima dos dois casais, as recentes alegações de pedofilia, avançadas em Portugal, apenas têm solidificado ainda mais a relação de amizade que existe desde o tempo em que Fiona trabalhava com Kate.
O médico é aliás um dos actores de maior relevo no caso Maddie: foi David Payne quem organizou as férias no complexo da Mark Warner na Praia da Luz, à excepção de Kate e Gerry foi ele a última pessoa a ver Maddie.
David Payne, foi acusado por um casal de médicos ingleses, membros do mesmo círculo de amigos, de ter tido gestos de carácter pedófilo durante umas férias em Maiorca, Espanha.

Fiona Payne

Foi através de Fiona que David conheceu Kate e Gerry. A anestesista, de 36 anos de idade, trabalhou com Kate McCann e é ela, de todo o grupo, quem mantém um contacto mais regular com a mãe de Maddie.
Fiona acompanhou Kate durante a fertilização in vitro da qual resultou Madeleine, e é também ela quem mais acompanhou a mãe da criança nos dias que se seguiram à desaparição na Praia da Luz.
Nas suas declarações à polícia do Leicestershire, Fiona reconhece que não viu se o marido esteve, ou não, no campo de ténis entre as 18h e as 19h. Na resposta à questão colocada pela polícia Fiona revelou-se bastante nervosa mas afirmou que o marido apenas teria passado no apartamento dos McCann para ajudar Kate com as crianças.
O casal Payne continua a viver na região de Leicester, razão pela qual mantêm o mesmo circulo de amigos que os pais de Maddie.

Jane Tanner

Jane Michelle Tanner, de 38 anos, é o outro membro do grupo do Tapas Bar com quem os McCann mantêm contacto regular. Em 2007, na noite em que Maddie desapareceu, Jane afirmou ter visto um homem transportar uma criança mas o seu testemunho, alterado por diversas vezes, só lançou mais confusão numa investigação já de si afectada pelas ingerências da diplomacia e das autoridades inglesas. O testemunho de Jane, segundo a PJ, terá atrasado o desenrolar das investigações e levado os inspectores a concentrarem-se numa pista “sem fim”.
Na noite do desaparecimento Jane não participou nas buscas e ficou à porta do seu apartamento mas, na manhã seguinte, é ela quem contacta um oficial da GNR, Nelson da Costa, a quem disse ter visto um “indivíduo” a correr e carregando uma “criança” que “claramente” vestia um pijama. Incapaz de descrever aquele “indivíduo” porque estava muito escuro.
Jane não conseguiu justificar à GNR como é que teria visto o pijama da criança apesar da escuridão e as suas declarações, frente à PJ e à polícia britânica, acabariam por ser alteradas por diversas vezes, coincidindo “estranhamente” com o “horário” descrito mais tarde por Kate e Gerry McCann.
Jane Tanner esteve na Praia da Luz na primeira semana de Abril, onde chegou acompanhada por Gerry McCann para participar nas filmagens de um novo documentário que Channel 4 vai transmitir a 7 de Maio e no qual ela vem mais uma vez reforçar a teoria de um rapto.

Amigos cada vez mais afastados

Todos os outros membros do grupo que jantou com Kate e Gerry McCann na noite em que Madeleine desapareceu (Dianne Webster, a mãe de Fiona – Russell O’Brien, o companheiro de Jane Tanner – Matthew Oldfield e Rachael Mampilly) afastaram-se pouco a pouco do casal.
Segundo uma fonte próxima dos McCann, o afastamento dos amigos deve-se unicamente ao facto de “todos terem a sua vida que nem sempre permite encontros” o que não é no entanto confirmado por todos os ingleses. O próprio Matthew Oldfield, apesar de ter acompanhado Gerry e Jane a Portugal, manteve-se sempre afastado dos jornalistas e pouco participou nas filmagens.
“Já passaram dois anos, estamos tristes pelo desaparecimento de Madeleine mas em pouco ou nada podemos ajudar,” disse ao 24horas um dos ingleses sublinhando querer manter-se longe dos jornalistas e “continuar a viver” apesar de “esperar que a desaparição da criança possa ser elucidada o mais rapidamente possível”.
Apesar da campanha desenvolvida pelo casal McCann, cujo ponto alto coincide com as datas de aniversário do desaparecimento da menina, a união dos nove ingleses nunca foi constante e por diversas vezes o próprio Clarence Mitchell, porta-voz do casal, foi obrigado a intervir para reunir o grupo e “acertar” versões.
Em Outubro de 2007, dois dos ingleses anunciaram, através de um advogado, estar dispostos a mudar as suas declarações à PJ mas a notícia é avançada no quotidiano espanhol “El Mundo” e o porta-voz de Kate e Gerry McCann contacta imediatamente os membros do grupo e organiza um encontro num hotel onde a fidelidade ao “pacto de silêncio” é mais uma vez garantida e as duas testemunhas acabam por abandonar as suas intenções.

Recordações de uma noite

No dia três de Maio de 2007, de acordo com Silvia Batista, os McCann e os amigos estavam todos no interior do apartamento 5A do Océan Club e ninguém no grupo estava ainda a procurar Maddie quando a GNR chegou.
A directora de manutenção e serviços do complexo, hoje com 47 anos, recorda-se do pai de Maddie a ter acompanhado junto dos militares da GNR a quem entregou “fotografias tipo postal” da criança: “eram fotografias do tamanho de um postal, e todas lhe pareceram iguais”.
“Desde o primeiro momento que quer o Gerry quer os restantes elementos do grupo insistiam em afirmar que a Madeleine havia sido raptada utilizando todos a palavra “abducted” em vez de desaparecida, e todos mostravam muito interesse em que imprensa fosse informada da situação,” disse aquela responsável à PJ.
No quarto onde Maddie teria alegadamente dormido naquela noite “as camas que eram utilizadas pelos bebés estavam situadas no meio do quarto e estavam alinhadas,” o que Silvia achou “estranho” porque, disse, se “alguém tivesse levado a Madeleine da cama onde ela estaria a dormir até á janela, não havia espaço para passar”.
“Nenhum dos elementos do grupo, incluindo pai e mãe da criança, se ocupava de a procurar,” recordou-se Silvia explicando que Kate McCann ficou sentada na cama do quarto de casal, o pai ficou junto aos militares da GNR e os outros elementos do grupo entravam e saiam e falavam ao telefone “preocupados em informar a imprensa do sucedido”.

Duarte Levy

5 comentários
  1. Pais Marta permalink
    09/05/2009 08:10

    So quero dizer um GRANDE BRAVO a policia Portuguêsa no caso de Maddie. Fizeram um excelente trabalho. E um GRANDE BRAVO ao senhor Gonçalo Amaral tem de continuar a verdade tem de sair, custe o que custar não abandonem força.
    Està a provar que é um grande homen, e là està não a que ter medo de ninguém.

  2. 08/05/2009 17:58

    Durate,

    Today I watched Kate and Gerry McCann’s appearance Oprah Winfrey show, the documentary based upon Goncalo Amaral’s book and a raft of news reports, including yours which are extremely enlightening.

    I would like to know the reason for the stark contrast between reporting in the UK and Portugese press. What happened the fundamental ethic of objective journalism, the social responsibility media has to assist law enforcement in discovering the truth?

    Irrelevant as it is, a moment’s gut instinct provoked my initial conviction as to where the truth lies and, having retained an open mind to every new development, that conviction has never faltered.

  3. 04/05/2009 17:27

    Irá desenvolver o tema sobre os Iluminados,tema que não conseguiu concluir hoje no programa da J.P.?

    Agradeço,
    MCreis

  4. 04/05/2009 17:25

    Hoje,dia 04/05/09 ouvi-o mais uma vez e com todo o gosto a Si e ao Dr. Paulo Sargento no programa da I,da Júlia Pinheiro.
    Há certos aspectos que me baralham,como por. ex. no Blogue de Joana e ,antes no do Paulo,há alguém que insiste nos maçons.Pessoalmente,tenho mais receio da O.D.
    O D.L. ia querer começar a falar do tema ” os illuminatti” (deve ter consoantes a mais e no sítio errado). Não continuou por razões de alinhamento do programa.
    Assim,pergunto-lhe: fará, sobre esse tema, um artigo aqui?
    Eu,pessoalmente,gostaria para ver se o que penso já está ultrapassado. E tentar perceber a obcessão e o descontentamento dessa pessoa.
    São temas sérios, ainda que também possam ser enxovalhados ou manipulados.

    Os meus cumprimentos,
    MCReis

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  1. Maddie, a two-year-old “pact” « Duarte Levy..

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