Skip to content

Oprah show ou o show dos McCann

27/04/2009

Kate McCann sem o Cuddle Cat

Kate McCann sem o Cuddle Cat

Oprah fez tudo para colocar o público a chorar. Contaram-se as lágrimas e agora espera-se pelo show na televisão que vai trazer uma nova vaga de avistamentos de Maddie. Enquanto isso, o FBI confirma que só colaborou com as autoridades portuguesas e britânicas e que os “McCann deviam ter sido suspeitos desde o primeiro momento”. Para terminar, a vaga de alarmismo no Algarve acerca dos pedófilos do caso McCann é inútil.

FrançaisEnglishEspañol

Durante a gravação, na passada sexta-feira, do show de maior audiência da televisão norte-americana, o “Oprah Winfrey Show”, foi uma Kate McCann em lágrimas que voltou a afirmar a sua convicção de que a filha está viva e que se encontra algures no mundo, depois de ter sido raptada do quarto onde dormia no complexo turístico da Praia da Luz, em Portugal.
Kate McCann, depois de um longo momento de preparação nos bastidores, voltou mesmo a chorar perante Oprah, a apresentadora vedeta, lamentando-se por não reconhecer a filha nas imagens apresentadas num ecrã gigante e onde se podia ver uma Maddie muito diferente daquilo que tem sido normal ver-se na comunicação social desde que a criança desapareceu a 3 de Maio de 2007: a criança aparece agora vestida de azul, com um aspecto mais terno e triste, como se tivesse sofrido de um longo cativeiro.
As novas imagens da criança, com o aspecto que teria aos seis anos de idade, foram realizadas pelos especialistas informáticos do Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e foram apresentadas a Kate e Gerry McCann antes da gravação do show, durante a visita que estes fizeram àquele organismo logo depois da sua chegada aos Estados-Unidos.
O Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e Exploradas, que Gerry McCann já tinha visitado em Julho de 2007, é um organismo privado sem fins lucrativos que não depende das autoridades norte-americanas, como sublinhou ao 24 horas um porta-voz do FBI.
Sentada junto à apresentadora vedeta da televisão norte-americana, e perante uma audiência maioritariamente feminina, previamente preparada para um show “com muita emoção”, como o descreveu Oprah, Kate McCann explicou o que tem sido a vida da família desde que Maddie desapareceu, dando particular destaque ao sofrimento que tem sido para os gémeos a ausência da irmã.
Apesar da presença de Gerry, foi a Kate que Oprah deu mais destaque durante toda a gravação do show, seguindo assim a linha traçada previamente nos bastidores onde a equipa de produção não se cansava de sublinhar o “ambiente de emoção” que estava criado na sala e onde o público, previamente escolhido, já estava convertido ao casal britânico.
Autêntica estrela do show que vai ser transmitido no inicio de Maio em 144 países, Kate disse a Oprah que sentia que Maddie ainda estava viva e que, apesar de não a reconhecer nas novas imagens, seria capaz de a reconhecer na rua se por acaso a viesse a cruzar, o que não deixou de arrancar alguns suspiros de emoção da plateia.
O “Oprah Show”, que vai igualmente ser retransmitido no nosso país, guardou no entanto uma parte do seu mistério, já que nem os jornalistas tiveram a oportunidade de assistir à totalidade das gravações. O programa final vai também incluir imagens filmadas na casa de Rothley, onde se pode ver o quarto de Maddie, arrumado como se a criança pudesse regressar amanhã, e Kate brincando com os gémeos, Sean e Amelie.
Um destaque muito especial é igualmente dado ao documentário que o Channel 4 vai transmitir a sete de Maio, no qual os McCann vão mais uma vez lançar a ideia de um raptor que teria levado Maddie da cama onde dormia no apartamento 5A, ocupado pelo casal durante as férias que passaram na Praia da Luz, no Algarve. O novo “suspeito”, que está no entanto identificado nas folhas do processo de investigação, seria um homem de aspecto mediterrânico, aparência de um português, e que teria sido visto a observar fixamente o apartamento de onde desapareceu Maddie.

O público rendeu-se a Kate e até contou quantas vezes a mãe de Maddie chorou

Como a produção fez questão de sublinhar, a emissão teve todos os ingredientes para agradar ao público visado normalmente pelo “Oprah Show”, e o público presente nos Harpo Studios na West Washington, perto do centro de Chicago, acabou por se emocionar com as lágrimas das duas mulheres. “Oprah e Kate estavam muito emocionadas. A mãe da menina chorou pelo menos duas vezes e até eu chorei,” disse ao 24 horas uma americana de 47 anos, mãe e fã incondicional do programa: “É muito difícil ter acesso aos bilhetes para assistir ao programa mas quando soube que eram os McCann passei várias horas ao telefone para os conseguir.”
Os Harpo Studios, os únicos no mundo a serem propriedade de uma afro-americana, servem quase exclusivamente para a gravação do Oprah Show, onde o público, depois de solicitar com um mês de avanço os bilhetes de acesso, é escolhido, revistado e controlado por uma equipa de segurança à entrada.

Oprah vai trazer nova vaga de avistamentos de Maddie

A divulgação das imagens do aspecto que poderia ter hoje Maddie e a presença dos seus pais, Kate e Gerry McCann, no Oprah show da televisão norte-americana, podem provocar uma nova vaga de avistamentos no mundo inteiro. O alerta foi hoje dado em Inglaterra por um oficial da polícia britânica, citando o exemplo do que acontece cada vez que alguém próximo da família ou o próprio porta-voz do casal, Clarence Mitchell, fazem aparecer na comunicação social notícias sobre um eventual rapto e a saída da criança para o estrangeiro.
“Com a publicação das recentes imagens recomeçaram os avistamentos no país e no estrangeiro,” afirma aquele graduado, apontando a notícia de que um casal inglês teria visto a criança em Malta como exemplo: Brian e Glenice White, um casal de reformados, afirmaram à polícia inglesa ter visto Madeleine a 14 de Março numa praça de La Valletta, capital de Malta. O casal descreveu uma criança loura que brincava acompanhada por um casal “muito escuro” e que se foi embora depois de se sentirem observados.
Em Portugal, apesar de a investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann continuar na gaveta, a PJ também está preocupada com o impacto que vai ter a presença de Kate e Gerry McCann no programa de Oprah Winfrey, como confirmaram ao 24horas vários inspectores do DIC de Portimão.

“McCann deviam ter sido suspeitos desde o primeiro momento”

O 24horas pediu a Richard Kolko e a Ross Rice, respectivamente do FBI em Washington e Chicago, bem como a outros especialistas daquela organização norte-americana, para comentarem diversos aspectos do caso Maddie e da presença de Kate e Gerry McCann no Oprah Show.
“Kate e Gerry McCann, assim como os seus sete amigos ingleses, deviam ter sido tratados como suspeitos desde o primeiro momento e só serem encarados como vitimas quando todas as dúvidas a seu respeito tivessem sido eliminadas.” Foi esta a conclusão de um especialista em raptos do FBI, contactado pelo 24 Horas.
Enquanto em Inglaterra Kate e Gerry McCann embarcavam ainda no avião para os Estados-Unidos, elementos do FBI, a pedido do 24 Horas, analisaram os documentos do inquérito que constam no processo sublinhando, entre outros elementos, aquilo que chamaram de “óbvia falta de cooperação” do casal.
Para aquele especialista, habituado a tratar casos de rapto, é difícil de compreender que o investigador principal tenha sido afastado e que o caso continue arquivado pois “quanto mais tempo passar mais difícil será encontrar a verdade.”
O facto de que o “local do crime” possa ter sido contaminado de maneira inocente intrigou o especialista que sublinhou aliás que “uma das pistas a rever é precisamente essa, determinar como, e por quem, foi contaminado o apartamento”, apontando como exemplo que “a partir do momento em que existe sangue, e partindo do princípio de que não existem mais vítimas”, é importante determinar que produto terá contaminado as amostras.
Questionado a propósito de um eventual rapto para fins pedófilos, o especialista confirmou o que a PJ já tinha dito: “Madeleine não corresponde ao perfil de vítima que um pedófilo iria visar.”

FBI só colaborou com as autoridades portuguesas e britânicas

Instados a comentar as recentes imagens da criança divulgadas em Inglaterra e em Portugal, os especialistas norte-americanos sublinharam que não houve até hoje qualquer colaboração com o casal. O FBI apenas prestou a colaboração que é normal com as autoridades portuguesas e britânicas, relembrando, a título de exemplo, análises comparativas ao ADN de Madeleine com o de um corpo de criança, feitas no Texas.
Ambos os agentes confirmaram aliás que até agora nenhum especialista do FBI participou na elaboração das imagens de Madeleine que o casal divulgou em Inglaterra.

Pedofilia: Vaga de alarmismo no Algarve é inútil

De acordo com uma fonte do Ministério Público, no caso “Maddie”, e contrariamente ao que tem vindo a ser divulgado, a listagem que chegou ao nosso país acerca dos cidadãos estrangeiros identificados como pedófilos ou como tendo alegadamente o perfil tipo de um pedófilo, continua nas mãos das autoridades portuguesas mas não foi facultada aos jornalistas no DVD que o Tribunal de Portimão entregou após o arquivamento do processo.
O DVD entregue aos jornalistas pelo Tribunal de Portimão também não divulga a identidade ou os detalhes de nenhum delinquente sexual português, dados que foram retirados do processo para preservar o seu anonimato, se bem que todos, sem excepção, constem dos arquivos da PJ.
Da listagem constam os nomes dos cidadãos britânicos que vivem em Portugal, ou que poderiam ter passado pelo Algarve, e que estão referenciados como tendo cometido ou sido acusados de crimes de natureza sexual ou pedófila. Uma outra listagem, considerada mais “delicada”, inclui indivíduos que nunca cometeram qualquer crime mas que, segundo as autoridades inglesas, têm o perfil tipo de um eventual pedófilo.
Foi aliás o risco de divulgação desta última lista uma das razões que motivou as autoridades inglesas a recorrerem à sociedade “Advogados Morais Leitão, Galvão Telles, Soares da Silva & Associados” que requereu ao tribunal de Portimão a manutenção do segredo de justiça do conteúdo dos documentos ingleses, alegando que a maior preocupação dos requerentes era “a integridade física dos agressores sexuais condenados ou dos alegados agressores sexuais”.
O próprio presidente da “Association of Chief Police Officers” (ACPO), Ken Jones, reconheceu junto do procurador adjunto Melchior Gomes que “grande parte deste material é constituído por informações não provadas relacionadas com indivíduos nomeados e identificáveis,” escreve Ken Jones, acrescentando que a sua divulgação teria impacto “sobre a sua segurança física”. Aquele oficial britânico estava igualmente preocupado com os eventuais processos em justiça contra os autores daquela listagem, já que os critérios usados na “selecção” não são muitos claros e partem muitas das vezes de denúncias anónimas nunca investigadas ou comprovadas.

Duarte Levy

Nota: A SIC garantiu os direitos de transmissão do programa em Portugal.

9 comentários
  1. longrina permalink
    09/05/2009 14:06

    Excelente artigo. O mais triste é saber que se eu estivesse no programa, também eu iria chorar, mas por outras razões. Não pela kate, pelo gerry ou os pelos gêmeos, mas sim por Maddie.
    Sempre admirei a apresentadora que costuma pôr o dedo onde mais doi. E não consigo compreender com ela sendo uma produção autonoma e independente não investigou as coisas como devem ser e mais importante: não fez as pergutas que deveriam ter sido feitas. Serà que ela foi subjugada pelos McCanns ou sera que a idade a amansou? é pena..

  2. Pedro permalink
    06/05/2009 18:58

    Só não percebo como é que não há ninguém que percebe que os pais estão a encobrir algo. O inspector da policia judiciaria portuguesa, percebeu logo, mas toda a gente faz questão de acreditar que não. Eles foram culpados, não sei como a mataram, nem porque, mas quem percebe um pouco de psicologia humana, e de factos cientificos, já sabe que eles são os culpados. O assaltante, levou uma menina, deixou lá outras duas, fechou a porta quando entrou, e depois saiu pela janela… Deixem-me rir… Uma das amigas da kate disse ke viu uma pessoa a levar uma criança ao colo descontraidamente, enquanto conversavam, mais ninguem viu. Passados uns dias, já faziam descrições detalhadas do raptor, mesmo aqueles que alegaram que não viram nas primeira declarações à polícia. ETC… O caso foi arquivado, porque se não tivesse sido eles já estavam presos. Arquivaram o caso porque o governo inglês acreditou que eram inocentes, e arranjaram maneira de encobrir o caso, afastando o inspector responsável do caso, pois aperceberam-se que tudo o que ele afirmava, fazia sentido, e estava eminente uma detenção… Isto é uma vergonha, e só queria que eles ardessem no inferno. Nem sei como conseguem viver com isto, e os programas, e agora o novo programa televisivo, etc…

    Uma mãe quando perde um filho, nestas circunstâncias, nem consegue ter a cabeça no sitio, quanto mais avisar a comunicação social antes mesmo da policia o fazer. Enfim…

  3. Maria Silva permalink
    03/05/2009 11:10

    Priemeiro crime, as crianças foram abandonadas no apartamento, enquanto os pais estavam num restaurante.
    Segundo, as grandes contradições do grupo.
    Terceiro, a tentativa de manipular a nossa polícia, quem não deve não teme!
    Quarto, as análises efectuadas
    Quinto, existe algum caso de criança desaparecida com este perfil de acontecimentos?
    Porquê escolherem uma empresa de detectives espanhois?! porque não Ingleses?
    …o pior foi desta pobre criança!

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: