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Expulsos de casa depois de a filha ter desaparecido

11/04/2009

Como uma desgraça nunca vem só – já reza o ditado popular – Pedro Silva, o pai da jovem de 18 anos que se encontra desaparecida desde 27 de Março, está agora a viver numa carrinha com a mulher e mais sete filhos depois de a GNR do Afonsoeiro o ter expulsado da casa onde vivia na freguesia da Jardia, Montijo.
De origem cigana, a família de Maria do Rosário Gouveia, a jovem desaparecida, estava a ocupar ilegalmente um terreno e uma casa não habitada onde tinham procurado refúgio durante o inverno passado. Pedro Silva e a família, que recebem uma pequena ajuda da Segurança Social, tinham entrado na casa destruindo o muro de tijolo que estava a bloquear a porta da habitação, há muito inabitada.
Apesar dos pedidos feitos pelo pai da jovem para que os deixassem habitar o local até a Maria do Rosário ser encontrada, a GNR, a pedido do proprietário, foi obrigada a expulsar a família que se encontra assim a dormir no carro sem querer arredar pé do local com medo que a jovem possa regressar e não encontrar ninguém.
“A GNR veio aqui com uma carrinha de intervenção, dois jipes e um carro patrulha e expulsaram-nos,” explicou o pai da jovem ao 24horas, acrescentando ainda que os homens da GNR “gozaram comigo, insultaram-me e só não nos bateram porque nunca reagimos.”
Pedro Silva não sabe muito bem de que posto da GNR vieram os homens que o expulsaram, já que a Jardia pertence à área do Afonsoeiro (Montijo) mas o posto mais próximo é o do Pinhal Novo. O homem recorda-se no entanto como foi recebido no Pinhal Novo quando ali foi para se queixar do desaparecimento de Maria do Rosário: “Os guardas não acreditaram que a minha filha tivesse desaparecido e não quiseram tomar conta da ocorrência dizendo que como ela tinha 18 anos eu tinha de esperar 48 horas,” disse Pedro ao 24 horas.
A GNR do Pinhal Novo, contactada pelo 24 horas, diz não conhecer o caso justificando o facto com a ausência do comandante e demais graduados que, segundo os militares, “estão de folga até segunda-feira”. Já na GNR do Afonsoeiro, apesar da ausência dos responsáveis do posto e do destacamento, pudemos apurar que o caso era conhecido.
“São ciganos, essa gente não quer trabalhar. Partiram o muro e ocuparam a casa, só aplicámos a lei,” disse um militar ao 24horas acrescentando acerca do desaparecimento de Maria do Rosário: “eles que recontem os filhos, afinal têm tantos”.
Pedro Silva, desesperado e sem noticias da filha, tem percorrido o país atrás das informações que lhe têm chegado de todo o pais e que já o conduziram às Caldas da Rainha, a Setúbal, a Lisboa e mesmo à Nazaré. Todas as pista se revelaram negativas e o homem, pedreiro de profissão, só pede que Maria do Rosário possa dar sinais de vida.
“Se eu soubesse que ela tinha fugido com um namorado ou algo assim, ao menos sabia que ela estava viva, assim não sei nada,” disse Pedro ao 24 Horas.

Duarte Levy

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