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Supremo inglês libertou português da prisão perpétua

27/03/2009

Amilton "Nico" Bento

Amilton "Nico" Bento

O emigrante português Amilton Nicolas Bento (Nico), condenado inicialmente à prisão perpétua pela morte da sua antiga namorada polaca, Kamila Garstka, saiu ontem em liberdade depois do Supremo Tribunal de Justiça britânico, em Londres, ter considerado como inválido o julgamento inicial.
Nico Bento, como é conhecido dos amigos, tinha sido condenado a prisão perpétua em Julho de 2007 com base no trabalho do mesmo laboratório utilizado no caso Maddie e nas imagens vídeo das câmaras de segurança que mostravam Kamila a caminhar sozinha para um lago da cidade de Bedford, a 90 quilómetros a norte de Londres, onde viria ser encontrado o seu corpo.
O português, de 29 anos, sempre defendeu estar inocente, mas um falso especialista americano, Casey Cottle, recomendado pelo Forensic Science Service (FSS) afirmou no julgamento que nas imagens vídeo onde se via Kamila figurava igualmente uma mala que o emigrante encontrou na sua casa e que entregou à polícia.

Laboratório já havia falhado nas análises do caso Maddie

Erro levou português à prisão perpétua

O caso do emigrante português Amilton Nicolas Bento (Nico) não é único em Inglaterra, país onde o laboratório central a que a polícia tem recurso, o Forensic Science Service (FSS), para além dos inúmeros erros conhecidos, está longe de ser independente como o comprovam os resultados conhecidos no caso Maddie.
Em ambos os casos – Maddie e Nico – os resultados apresentados em tribunal ou à polícia foram inconclusivos, não permitindo determinar o que quer que seja. No caso de Nico, a autópsia praticada ao cadáver de Kamila não permitiu aos investigadores afirmar a causa real da morte, limitando-se apenas a concluir a inexistência de quaisquer marcas de violência.
No caso Maddie, as coisas foram distintas. Ultrapassando todos os prazos normais para proceder aos exames ADN – como confirmou ao 24horas uma responsável de um laboratório totalmente independente das autoridades portuguesas ou britânicas – o FSS elaborou um primeiro relatório que acabaria por nunca ser entregue à Policia Judiciária e onde, entre outros factores, o número de alelos era mais que suficiente para indicar que a menina poderá ter sofrido um acidente ou uma agressão. Os resultados, comunicados às autoridades de forma não oficial, acabariam por ser desmentidos por um outro relatório – este entregue à PJ – onde o suposto “maior laboratório europeu” dava por inconclusivos todos os resultados.
Por esclarecer estão ainda os resultados inconclusivos e os métodos utilizados que nem sempre correspondem aos resultados enviados ao nosso país.

Imagem video que condenou "Nico"
Imagem video que condenou “Nico”

No caso do emigrante português, condenado com base nas declarações de um falso perito americano apresentado pelo FSS, os alegados especialistas passaram, segundo o relatório, mais de 80 horas a aperfeiçoar e a analisar as tonalidades da cor do casaco da vítima nas imagens vídeo para concluir que uma descoloração da imagem poderia ser a alça da mala que o português encontrou em casa. Uma reconstituição efectuada no mesmo local em Dezembro de 2008, com recurso, desta vez, a um laboratório independente e sem qualquer manipulação das imagens, acabaria por pôr em causa o trabalho das autoridades inglesas, que teriam gasto cerca de 300.000 euros no inquérito, grande parte dessa soma utilizada para pagar as peritagens feitas às imagens vídeo.

Parece mentira mas é verdade

Detido pela polícia inglesa, acusado de um assalto cometido a mais de 300km da sua casa, Raymond Easton acabaria por receber uma indemnização depois de em tribunal se comprovar o tremendo erro cometido pelo FSS nas análises das amostras recolhidas no local do crime.
Doente de Parkinson, Easton era incapaz de andar, de se lavar ou de se vestir sem a ajuda da família, o que não impediu a polícia de o prender com base nos resultados das análises ADN que o davam como sendo “sem quaisquer dúvidas” o autor do assalto cometido num apartamento.
O FSS comparou o resultado das suas análises com a base de dados de que o laboratório assegura a gestão, onde Easton estava referenciado na sequência de um caso de violência doméstica, e assegurou ter resolvido o caso já que, de acordo com o seu relatório, a probabilidade de engano nos exames era de 1 para 37 milhões.
Apesar de se encontrar em casa no momento em que o assalto ocorreu, muito diminuído pela doença e acompanhado pela filha, Easton ficou na cadeia até ser presente ao tribunal onde, graças a uma segunda análise pedida pelo seu advogado, o FSS admitiu o erro dos exames ADN.

Duarte Levy

2 comentários
  1. marialopes permalink
    27/03/2009 15:00

    Hoje o Hernani Carvalho falou desta noticia no programa da TVI ( crime disse ele ).

    Já nem vou discutir a FIABILIDADE das análises do FSS, deixo isso para os especialistas na matéria.

    Há no entanto um promenor revelado pelo Hernani que me fez …. mal.

    Segundo ele, ao Amilton Nicolas Bento, alguém do sistema de justiça britanico DISSE, antes da condenação à prisão perpétua….

    NÃO PASSAS DE UM PRETO PORTUGUES !!!!

    Deixo a cada um a análise que entenda fazer !!!!!

  2. 27/03/2009 12:45

    Já não era sem tempo!!!
    Como já li algures, o FSS, devia passar a chamar-se FFS!

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