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Advogado de Leonor Cipriano só regressa a tribunal para alegações finais

22/03/2009

Marco Aragão Correia mentiu e tem agora de pagar despesas de custo

Marcos Aragão Correia

Marcos Aragão Correia

Marcos Aragão Correia, advogado de Leonor Cipriano, diz que só vai comparecer no Tribunal de Faro para as alegações finais do caso onde são arguidos cinco inspectores da Policia Judiciária acusados de agressão à sua cliente.
Uma “retaliação” ao facto do Tribunal da Relação de Évora ter recusado o seu pedido de afastamento do juiz presidente Henrique Pavão a quem ele acusava de “parcialidade”.
“Continuarei a representar Leonor Cipriano, neste julgamento, por escrito. E comparecerei, sem reservas, na audiência final para alegações finais”, afirmou o advogado sublinhando que, face à decisão da Relação de Évora, que não admite recurso, ele não estará presente nas próximas sessões do julgamento que se retoma terça-feira, no Tribunal de Faro.
Aragão Correia chegou a afirmar publicamente que o Ministério Público teria mesmo emitido um parecer positivo para a escusa do juiz, o que já foi desmentido por fontes ligadas ao processo que acusam o advogado de estar “mais uma vez a mentir”.
“Segundo aquilo que eu sei, esse senhor foi fortemente condenado às custas, razão pela qual ele nem deve ter muito interesse em divulgar à imprensa a notificação que ele recebeu,” disse ao 24horas fonte ligada ao processo.
Depois do juiz Henrique Pavão o ter obrigado a abandonar a sala do tribunal na sequência da sua suspensão pela Ordem dos Advogados, Marcos Aragão Correia queria ver o juiz afastado do caso acusando-o de “parcialidade” e argumentando que cerca de 40 requerimentos da sua cliente não foram aceites. Um argumento sem grande valor já que o próprio Aragão Correia, em Dezembro do ano passado, reconhecia publicamente, na cerimónia de lançamento do seu livro, que a quase totalidade dos seus requerimentos foram apresentados fora do prazo legal.
O pedido de afastamento do juiz presidente tinha sido enviado ao Tribunal da Relação de Évora, pelo próprio Henrique Pavão alegando uma questão de “economia processual” já que o advogado de Leonor Cipriano o tinha, erradamente, entregado em Faro.

Uma “Palhaçada” que já dura há 8 meses

O processo interposto por Leonor Cipriano contra actuais e ex-agentes da PJ – três acusados de crime de tortura, um de não ter prestado

António Pragal Colaço, advogado da defesa

António Pragal Colaço, advogado da defesa

auxílio e de omissão de denúncia e um quinto indiciado de falsificação de documento – já dura há oito meses e ninguém sabe quando vão ser feitas as alegações finais.
António Pragal Colaço, advogado de defesa no processo reconheceu esta tarde “não fazer a mais pequena ideia de até quando esta palhaçada vai ainda continuar, custando uma pequena fortuna ao País e enxovalhando o sistema”.
“Este julgamento é das coisas mais idiotas que eu já vi até agora. O objectivo da justiça não pode ser isto,” disse ainda Pragal Colaço.
O processo dos cinco inspectores da PJ tem sido objecto de inúmeras “surpresas” onde resta ainda saber se a própria Ordem dos Advogados pode continuar como assistente impedindo assim o seu bastonário de ser ouvido como testemunha no caso das fotos das alegadas agressões.
A defesa de um dos arguidos no julgamento, dirigiu ao Tribunal da Relação de Évora um recurso para revogar a decisão que permitiu que a Ordem dos Advogados fosse assistente e também o despacho de indeferimento para que o bastonário, Marinho Pinto, fosse inquirido no âmbito do processo dado o facto de ter um profundo conhecimento dos factos, “o que se encontra bem espelhado pelo conteúdo da notícia que publicou no Jornal Expresso, em Fevereiro de 2005” e onde foram publicadas as fotos cuja autenticidade ainda não é comprovada numa altura em que o processo se encontrava ainda em segredo de justiça.
Depois do desaparecimento de Joana a 12 de Setembro de 2004, a mãe, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano, foram acusados e condenados a 16 anos de prisão cada um pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Duarte Levy

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