Skip to content

Gerry ataca jornalistas

11/03/2009

imagem124hoje

“Kate e eu não podemos perdoar o facto de os jornais sugerirem que Madeleine está morta”

Publicado no jornal 24 Horas de hoje

O pai de Madeleine, Gerry McCann foi ontem ouvido pelos membros da comissão permanente do Parlamento inglês para os assuntos de Cultura, Desporto e Comunicação Social, a quem explicou, durante pouco mais de uma hora, qual era o seu ponto de vista acerca do trabalho dos jornalistas, em particular os portugueses a quem ele não poupou críticas.
“Embora os elementos da cobertura mediática tenham sido indubitavelmente úteis na busca de Madeleine, a nossa família foi o foco de alguns dos conteúdos mais sensacionalistas, falsos, irresponsáveis e prejudiciais na história da imprensa”, lamentou o pai da menina mais conhecida do planeta.
Depois de expressar a sua solidariedade para com os pais de Maddie, os membros da comissão parlamentar questionaram as três testemunhas acerca do comportamento dos órgãos de comunicação social, visando particularmente os jornais portugueses.
Considerando que o conteúdo das noticias publicadas nos primeiros dias não ajudaram em nada o casal, o pai de Madeleine não explicou porque razão o casal não respeitou o conselho das autoridades para não utilizar os meios de comunicação social, colocando em risco a vida da própria filha.

gmccann

“Kate e eu não podemos perdoar o facto de os jornais sugerirem que Madeleine está morta,” disse ainda Gerry McCann acusando os jornalistas ingleses de terem copiado aquilo que era publicado nas primeiras páginas dos jornais portugueses citando “fontes não identificada.”
“Nunca tivemos a impressão de controlar os órgãos de comunicação social,” disse Gerry sublinhando que não era o casal quem ditava aos jornalistas o que deveriam publicar, no que foi ajudado pelo seu porta-voz, Clarence Mitchell, que acusou os jornalistas de terem estado debaixo de uma enorme pressão para publicar noticias todos os dias “ou corriam o risco de perder os seus empregos”.
Segundo Clarence Mitchell, antigo jornalista e director da unidade de controlo dos órgãos de comunicação social junto do gabinete do primeiro-ministro inglês, autor da grande maioria dos comunicados distribuídos diariamente na Praia da Luz aos jornalistas ingleses, os profissionais da informação ingleses e americanos foram vítimas do segredo de justiça das autoridades portuguesas.

Jornalistas ingleses “bêbados”

O porta-voz de Kate e Gerry McCann acusou mesmo os seus antigos colegas de terem trabalhado na Praia da Luz numa “atmosfera convivial” onde passavam o tempo bêbados acabando por o obrigar a intervir diariamente para evitar que eles publicassem o que obtinham de más traduções das capas dos jornais portugueses depois de terem passado a noite a beber nos bares.
adam-tudor-carter-ruck19-03-08Gerry McCann criticou ainda os jornalistas portugueses que estariam na origem das noticias que afectaram o casal e que eram copiadas imediatamente pelos colegas ingleses, para serem em seguida citadas no dia seguinte em Portugal.
Para o pai de Madeleine, o facto de as leis portugueses remontarem ao tempo de um governo fascista e depois comunista explicam o porquê de não funcionarem, o que, segundo o médico inglês, explica a existência do segredo de justiça que os jornalistas não respeitaram sem sofrer qualquer consequência legal, sublinhando que a origem de muitas informações era a polícia.
A comissão parlamentar britânica, constituída na sua maioria por membros do partido do primeiro-ministro Gordon Brown, que interferiu directamente no curdo das investigações, está a realizar um inquérito sobre as normas aplicadas ao trabalho dos jornalistas em Inglaterra. A comissão pretende avaliar se os profissionais da informação respeitaram a privacidade dos envolvidos e compreender o que se passou nos casos em que os órgãos de comunicação social foram acusados de difamação e acabaram por pagar importantes somas sem que os casos tenham sequer passado pelas salas dos tribunais.
Junto do pai de Madeleine McCann foram ainda interrogados Clarence Mitchell, porta-voz do casal, e Adam Tuddor, advogado do gabinete Carter-Ruck que representou Kate e Gerry nos processos que interpuseram contra vários órgãos de informação no Reino Unido. Foi igualmente este o gabinete de advogados que ameaçou directamente diversos jornalistas em Portugal e no estrangeiro sem nunca terem levado o caso a tribunal.

Duarte Levy

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: