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Alemães metem o desaparecimento de cidadão português na categoria dos casos “bruxedo”

04/03/2009

090303-pr-0975O Presidente da República, em visita oficial à Alemanha, revelou hoje (quarta-feira) que as autoridades alemãs incluem o desaparecimento de Afonso Tiago em Berlim numa categoria de casos que designam como “bruxedo”, ou seja, algo “que não conseguem explicar”.
Afonso Tiago, engenheiro, desapareceu sem deixar qualquer rasto na noite de 10 de Janeiro, depois de se despedir de um amigo junto à estação de comboios de Ostbahnhof, perto do que ainda resta do famoso muro de Berlim.
De acordo com o chefe de estado, Aníbal Cavaco Silva, que falava durante um encontro com os jornalistas, as autoridades alemãs “consideram o caso muito anormal”.
“Fiquei a saber que o incluem numa categoria de casos a que atribuem a designação de ‘bruxedo’, isto é, qualquer coisa que não conseguem explicar”, afirmou o Presidente da Republica aos jornalistas.
“As autoridades de investigação alemãs utilizaram mesmo essa expressão na conversa que tiveram com o embaixador português. É onde eles incluem todos aqueles casos que têm dificuldade em encontrar sinais que apontem para uma solução do mistério”, precisou o chefe de estado.
Desde o desaparecimento de Afonso Tiago em Janeiro que o embaixador português em Berlim, José Caetano da Costa Pereira, mantém contacto permanente com as autoridades locais afim de não deixar o caso ficar esquecido.
Cavaco Silva, confirmando que abordou a questão do desaparecimento de Afonso durante os encontros que teve na terça-feira com o Presidente alemão e com o Burgomestre de Berlim, fez ainda questão de exprimir a solidariedade aos familiares e amigos do engenheiro português, lamentando que, neste momento, “é apenas o que pode fazer”.

afonsotiagomissing-3fa“Esperanças são quase nulas”

Só esta semana, na véspera do inicio da visita oficial de Cavaco Silva a Berlim, é que a policia de Berlim conseguiu a autorização para analisar os registos telefónicos dos dois telemóveis que tinha o português na noite em que desapareceu e das imagens das câmaras vídeo do local onde Afonso Tiago se despediu de Ivo Morais, o amigo que o viu pela ultima vez.
Apesar dessa autorização – que demorou quase 2 meses a chegar – as análises não revelaram até ao momento qualquer pista, como confirmou Hans-Joachim Blume, o chefe do departamento da polícia criminal que investiga a desaparição do português.
De acordo com aquele responsável os resultados definitivos só serão conhecidos na próxima semana já que a polícia alemã quer saber se os dois telemóveis que Afonso Tiago levava consigo continuam a ser utilizados, mesmo que com outros cartões e números de telefone. Do resultado da análise às imagens vídeo das câmaras do Multibanco da estação de comboios, uma zona considerada como muita calma e segura, os investigadores esperam conhecer qual a direcção tomada por Afonso Tiago no caminho para casa.
O português reside a 20 minutos do local mas tinha de atravessar o rio Spree que, na noite de 10 de Janeiro, se encontrava completamente gelado dada uma temperatura ambiente de 18 graus negativos. É aliás nesse rio que a polícia receia vir a encontrar o corpo de Afonso Tiago.
Depois de terem sido afastadas quase todas as teorias possíveis, a polícia alemã já não acredita na possibilidade de vir a encontrar Afonso Tiago com vida e avança como muito provável que o português possa ter caído ao rio Spree, uma queda que lhe teria sido fatal. É aliás esta a teoria avançada pelos investigadores para explicar o mistério que envolve os dois telemóveis do português que deixaram de emitir qualquer sinal em simultâneo numa área que engloba a estação de Ostbahnhof e os arredores da estação mas que se estende até ao meio do rio Spree, onde os mergulhadores vão continuar as buscas logo que as temperaturas o permitam.

Duarte Levy

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