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Sara Sofia tem 3 anos e foi raptada pela mãe há mais de um mês

20/02/2009
Sistema de Alerta de Rapto de Menores só arranca em Março e por agora os meios de informação e comunicação utilizados pelas autoridades permanecem os mesmos que existiam antes do caso Maddie

Apesar de o caso ser encarado pela Policia Judiciária (PJ) com a mesma seriedade que um desaparecimento, Sara Sofia Lopes dos Santos, de três anos de idade, desapareceu no primeiro dia de 2009 no quadro de um rapto parental.
De acordo com uma informação do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ em Portimão, Sara terá sido raptada pela sua mãe e encontra-se no estrangeiro, provavelmente em Espanha onde os investigadores tentam localizá-la com a colaboração das autoridades do pais vizinho.
Segundo a mesma fonte, desde a separação do casal em 2007 que os pais de Sara mantêm um conflito acerca do exercício do poder parental da criança, que estaria oficialmente confiada ao pai, que acusa a mãe de abandono da criança. Versão diferente tem a mãe de Sara e seus familiares, que acusam o pai de maltratar a criança, facto que nunca foi provado.
Apesar de o rapto de Sara ter ocorrido no dia 1 de Janeiro de 2009, só agora a informação foi colocada no site da Policia Judiciária na internet (www.policiajudiciaria.pt), onde figura uma fotografia recente da criança.
De acordo com as informações agora relevadas pelo DIC da PJ em Portimão – o mesmo que foi responsável pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann -, Sara Sofia estava vestida, na última vez em que foi vista, com um fato de treino cor-de-rosa da marca Nike e calçava sapatilhas da mesma cor.
A menina, de nacionalidade portuguesa, tem olhos e cabelos castanhos e, como sinal distintivo, apresenta nas costas, na zona lombar, um sinal vermelho.
Segundo uma fonte da PJ em Portimão, não existe qualquer ligação entre a desaparição de Sara Sofia e o caso Madeleine McCann, mas os investigadores receiam ver o seu trabalho afectado pela intervenção dos meios de comunicação ingleses, já que o facto de ambas as crianças terem a mesma idade e terem desaparecido numa zona geográfica relativamente próxima “vai, de certeza absoluta, ser aproveitado para relançar a mediatização do caso Maddie e concentrar a atenção no Algarve, afastando assim as suspeitas do casal McCann”.

Imprensa inglesa associa desaparição de Sara ao caso Maddie

A informação do desaparecimento de Sara Sofia teria passado completamente despercebida em Inglaterra, não fosse a intervenção de uma fonte próxima das autoridades britânicas e do casal McCann que, de maneira não oficial, alertou alguns jornalistas sublinhando o facto de a investigação estar sob a responsabilidade do DIC da PJ de Portimão, o mesmo que investigou o caso Maddie.
Na informação dada aos jornalistas não consta sequer uma linha acerca da possibilidade de um rapto parental, e a tónica é colocada no facto de Sara Sofia ter a mesma idade que Madeleine McCann e de ter desaparecido “misteriosamente” no Algarve, a mesma região geográfica de onde desapareceu a criança britânica em Maio de 2007.
Segundo a informação fornecida aos jornalistas ingleses, o desaparecimento de Sara Sofia na região sul de Portugal seria a prova da eventual existência de um predador, facto que a polícia portuguesa tinha excluído no caso de Madeleine.

Portugal adopta o modelo de Sistema de Alerta francês

A partir do próximo mês de Março, o desaparecimento de menores em Portugal vai passar a contar com um sistema de “Alerta Rapto” que, através de mensagens a cada 15 minutos, divulgam o caso e solicitam informações nas mais diversas plataformas, desde rádios locais aos terminais de transportes públicos.
O sistema adoptado no nosso país segue o modelo francês denominado “Alerte Enlèvement” que, em diversas ocasiões, já provou a sua eficácia no terreno.
A versão portuguesa estudada pelo Ministério da Justiça conta com os órgãos de comunicação social que adiram ao projecto e que, durante as primeiras três horas após o desaparecimento do menor, vão divulgar uma mensagem de alerta única, que pode ser de carácter local, regional ou nacional.
Tal como acontece em França, a decisão de lançar o alerta será tomada pelo procurador-geral da República (PGR) em conjunto com a PJ através de um “Gabinete de Crise”, em caso de rapto ou sequestro, não contemplando ainda os casos de rapto parental ou simples desaparecimento.
Já em Novembro do ano passado, o Ministro da Justiça, Alberto Costa, havia assegurado que o sistema de “Alerta Rapto” estaria disponível rapidamente, sublinhando no entanto que para o sistema poder funcionar seria necessária uma melhor colaboração entre o Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ).

Duarte Levy

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