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Caso McCann : Análises das chamadas telefónicas revelam pista inexplorada

16/12/2008

Justine McGuiness e a Ribeira do Vascão

Justine McGuiness, a porta-voz dos McCann que os acompanhou na fuga para Inglaterra logo após terem sido constituídos arguidos, deixou no apartamento que serviu de quartel-general ao casal diversos documentos, incluindo fotografias, estabelecendo uma possível relação entre o desaparecimento de Madeleine e as margens da Ribeira do Vascão, junto à fronteira com Espanha. Hoje, 19 meses passados desde o dia em que Madeleine desapareceu, a pista deixada por Justine McGuiness volta a dar de que falar.


É no dia da fuga de Kate e Gerry para Inglaterra, a 9 de Setembro de 2007, quatro meses passados desde o desaparecimento de Madeleine McCann, que a Policia Judiciária (PJ) vai meter as mãos numa série de documentos deixados na Vila Vista Mar, até então ocupada pelo casal, onde constam fotografias e mesmo um croqui, indicando a localização detalhada de um lugar na fronteira entre o Alentejo e o Algarve, a 20 km de Almodôvar, atravessado pela ribeira do Vascão. Os inspectores da PJ entraram na casa logo após a saída dos McCann para o aeroporto, aproveitando assim o facto de os jornalistas terem acompanhado o casal.

Os documentos, ali deixados pela porta-voz dos McCann, Justine McGuiness, foram encontrados por debaixo de um sofá e continham, para além da identificação de uma zona geográfica bem precisa, inúmeras inscrições que a PJ nunca conseguiu interpretar. Segundo fontes próximas do inquérito, nada foi feito nesse sentido e os homens da PJ, que teriam olhado para os documentos como obra de um grupo esotérico, nem sequer se deram ao trabalho de visitar o local indicado considerando a pista como não tendo qualquer valor para o caso.

A porta-voz dos McCann, que os acompanhou durante os dias em que o casal foi constituído arguido perante a justiça portuguesa, acabaria por ser despedida ao chegar a Inglaterra, isto não obstante o facto de que ela poderia revelar-se uma das testemunhas mais incómodas para o casal e para as próprias autoridades inglesas. O certo é que Justine McGuiness nunca foi questionada pela Policia Judiciária e assim sendo o significado exacto dos documentos e das fotografias nunca foi explicado

Em declarações gravadas recentemente em Londres, fontes próximas da ex-candidata do partido liberal, especialista em relações públicas, confirmaram que Justine McGuiness terá mesmo sido alvo de diversas pressões, nomeadamente no campo jurídico, indicando-lhe que deveria manter o silêncio sobre tudo o que viu ou ouviu durante o tempo em que trabalhou junto de Kate e Gerry McCann.

O que é certo é que antiga porta-voz do casal estava já em evidente ruptura com o casal, em particular com Kate McCann, no dia em que com eles deixou Portugal e não surpreendeu a ninguém o “divórcio” à chegada a Inglaterra. Justine sempre teceu duras criticas, algumas das quais em presença de diversos jornalistas à mãe de Madeleine e as más relações entre as duas mulheres não se ficavam pelas questões financeiras, onde Justine sempre exigiu o pagamento do seu trabalho e das numerosas horas passadas ao lado do casal mas também nos encontros e jantares com jornalistas e enviados das autoridades britânicas.

Hoje, tudo poderia estar esquecido não fossem os resultados de uma investigação às chamadas telefónicas do casal McCann e de todas as pessoas que estiveram em contacto com eles, levada a cabo por jornalistas em colaboração com antigos operacionais dos serviços de informação.

Swansea mais uma vez

Ao investigar as chamadas recebidas e feitas pelos telefones portáteis dos McCann durante o tempo que ficaram em Portugal, os investigadores vão encontrar um relatório do inspector Paulo Dias da PJ onde se confirma que Kate recebeu no dia 2 de Maio de 2007, pelas 11h21, uma chamada de Swansea (UK) que, mais tarde, ela justificaria à PJ como tendo sido um engano. Um “engano” suficientemente importante para que a mãe de Madeleine tivesse guardado o registo dessa chamada no seu telefone, apesar de ter apagado todos os detalhes de outras comunicações.

Mais interessante ainda, os investigadores – alguns britânicos – habituados a tratar de casos ditos sensíveis, vão encontrar o registo de uma chamada telefónica feita no mesmo dia, depois do almoço, entre um telefone portátil na Praia da Luz e o mesmo número de Swansea que tinha contactado Kate McCann. O portátil de onde a chamada é efectuada não pertence a nenhum dos McCann nem ao grupo de amigos que os acompanhavam e a até hoje a Policia Judiciária, não obstante diversos pedidos às autoridades inglesas, nunca conseguiu identificar o proprietário desse portátil nem obteve dos Ingleses apoio ou vontade para que eles questionassem quem quer que fosse acerca destas chamadas.

Agora, ao cruzar os resultados obtidos junto das operadoras de telecomunicação móvel em Portugal e em Espanha com os relatórios da Policia Judiciária, em especial o excelente trabalho do inspector Paulo Dias, investigadores e jornalistas encontraram um novo elemento digno de interesse: o telemóvel utilizado na Praia da Luz para telefonar ao número de Swansea que tinha contactado Kate no dia 2 de Maio, foi utilizado para efectuar e receber chamadas na zona indicada nos documentos e nas fotografias que a porta-voz dos McCann abandonou debaixo do sofá no dia da fuga para Inglaterra.

Segundo os registos agora conhecidos, o telemóvel foi utilizado junto à Ribeira do Vascão em várias ocasiões, nomeadamente entre os dias 12 e o 15 de Maio de 2007 mas igualmente em Junho e Julho do mesmo ano. Chamadas telefónicas, as quais foram sempre efectuadas para Inglaterra ou para a Praia da Luz, excepto uma, efectuada para a embaixada britânica em Lisboa.

Duarte Levy

* Imagens de ilustração

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