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Caso McCann: "Tapas 4" desconfiam da PJ

09/06/2008
Alguns dos amigos dos McCann não quiseram participar na reconstituição do desaparecimento de Madeleine McCann, solicitada pelas autoridades portuguesas, por terem “sérias dúvidas” quanto às verdadeiras intenções da Polícia Judiciária, ao avançar com essa iniciativa, afirmou o porta-voz da família, Clarence Mitchell, em entrevista a uma rádio irlandesa, no passado dia 4 de Junho.

A hipótese de a PJ pretender provar a existência de contradições entre os depoimentos formais dos amigos do casal, enquanto testemunhas do processo-crime, e os pormenores resultantes da reconstituição, no terreno, foi uma das questões colocadas durante a entrevista. A jornalista Pat Kenny, da “RTÊ Radio 1”, referiu a “existência de suspeitas” de que a PJ, ao solicitar a participação dos amigos dos McCann, “estaria a tentar apanhá-los em contradição (…) e encontrar falhas nos seus depoimentos.” Clarence Mitchell admitiu que a jornalista “podia tirar essa conclusão, se quisesse”, mas recusou-se a comentar.

“Há todo um conjunto de razões que justificaram o facto de eles terem sérias dúvidas sobre o que poderia resultar (da reconstituição) “, afirmou Clarence Mitchell, ao ser questionado sobre qual seria a utilidade da reconstituição, uma vez que a PJ não autorizava a sua transmissão televisiva.

Os amigos dos McCann “afirmaram claramente – e continuam a dizê-lo – que estão dispostos a fazer tudo o que for necessário para ajudar a encontrar Madeleine”, salientou o porta-voz da família. No entanto, alguns desses amigos acharam que a reconstituição do desaparecimento de Madeleine, proposta pela PJ, “não teria qualquer utilidade para ajudar a encontrá-la”, acrescentou. “Tal como referiu (a reconstituição) não seria transmitida pela televisão, o que significa que não levaria ao aparecimento de novas pistas… Porquê, e o que é que isso poderia produzir de positivo, um ano depois dos acontecimentos?” – foi a pergunta deixada por Clarence Mitchell.

O porta-voz dos McCan lembrou ainda que “não há memória” de terem sido utilizados os próprios intervenientes, em vez de actores contratados, “na reconstituição de crimes realizados na Irlanda, Inglaterra ou em qualquer outro lugar”. Para Clarence Mitchell, todos estes detalhes levaram a que ele próprio, o casal McCann, alguns dos seus amigos e, inclusivé, os advogados do casal, se questionassem sobre quais as verdadeiras intenções da PJ..

O ex-jornalista da BBC acusou as autoridades portuguesas de assumirem posições contraditórias, por terem recusado uma reconstituição dos acontecimentos, com a utilização de actores, proposta pela BBC, pouco depois de Madeleine McCann ter desaparecido. “Nós não fazemos isso, aqui (em Portugal), não fazemos reconstituições”, terá sido a resposta da Polícia Judiciária, de acordo com Clarence Mitchell. “E, de repente, mudam de opinião e vêm dizer, um ano depois: ‘Vamos fazer (uma reconstituição) mas à nossa maneira.”

O pedido da PJ provocou “uma intensa discussão”, entre o grupo de amigos dos McCann, alguns dos quais acabaram por mandar um recado à PJ, recusando participar: “Obrigado por este convite, mas não achamos que (a reconstituição) tenha qualquer utilidade”, terá sido a mensagem enviada, de acordo com Clarence Micthell.

Duarte Levy & Paulo Reis

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