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Austrália e Indonésia planeraram invasão de Timor Leste em 1963

08/04/2010

Xanana Gusmão e Ramos Horta

Num discurso proferido ontem em Díli, o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão acusou a Austrália de ter secretamente planeado a invasão de Timor Leste pela Indonésia em 1963, quando o território ainda era português.
Segundo Xanana Gusmão, “o insulto” das autoridades australianas foi ainda mais longe com a assinatura de um acordo com a Indonésia para partilhar a riqueza do mar de Timor, enquanto”cerca de 200.000 timorenses morreram para proteger os seus direitos durante os 24 anos de guerra”.
Citando estudos de historiadores e investigadores, o primeiro-ministro timorense acusou os Estados-Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia de terem estabelecido um acordo secreto visando a integração de Timor Leste na Indonésia, em 1963, ”como a melhor solução para a paz no mundo”.
”Vimos o resultado deste acordo, em 1975,”disse Xanana Gusmão, referindo-se à sangrenta invasão de Timor Leste pelas tropas e milícias indonésias.

Timor Leste continua “frágil e pobre”

Apesar do investimento estrangeiro que tem sido feito em Timor Leste, Xanana disse sentir-se triste com os resultados obtidos ”na construção do nosso estado”, sublinhando que o pais continua frágil e é “um dos mais pobres da região” apesar dos seus recursos naturais.
As autoridades de Camberra têm apoiado um projecto multi-bilionário de um consórcio australiano que vai explorar gás no mar de Timor, mas têm ignorado os múltiplos pedidos do governo timorense para que a unidade de transformação ficasse instalada no território. Segundo os responsáveis daquele projecto, as únicas opções admitidas por Camberra passam por uma plataforma marítima ou pela instalação de um pipeline para levar o gás até Darwin.
Seguindo as recomendações do Banco Mundial, Timor Leste tem nos Estados-Unidos 5,39 bilhões de dólares em poupanças realizadas com as suas reservas de petróleo e gás.
Xanana Gusmão, que pretende a saída de Timor Leste da lista dos países frágeis e pobres no prazo de 15 a 20 anos, defende agora que é necessário investir para construir infra-estruturas e promover o crescimento.

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