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A Entrevista dos McCann à SIC: Falácias e mais Falácias ou antecâmara do Canto do Cisne?

19/05/2009

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A Entrevista que Rita Jordão, jornalista correspondente da SIC em Londres, realizou com o casal McCann, e que a estação transmitiu em Maio de 2009, parece ter constituído mais uma oportunidade de desesperada e inconsistente defesa de duas questões, na prática, indefensáveis: a primeira, a de que Madeleine está viva, e a segunda, a de que só não foi ainda encontrada devido a um bloqueio resultante da propagação da tese de Gonçalo Amaral que, para além de afirmar que a menina está morta, insiste no facto de os pais disso terem conhecimento e, eventualmente, terem ocultado o cadáver.
O início da entrevista é marcado por um estilo discursivo Mitcheliano em que Gerry McCann é mais competente do que a sua mulher Kate. Considerando os dois últimos anos como os “mais longos” da sua vida, Gerry conseguiu, simultânea e subtilmente, afirmar que o tempo passou muito depressa, “depressa demais”, paradoxo que deu a Kate a oportunidade de, mais uma vez, inadvertidamente, sugerir o seu processo de luto irreparável, quando sustentou que os primeiros tempos foram os mais duros da sua vida e que, apesar de depois não serem “tão bruscos”, ainda se mantém dolorosos. Mas esta é só uma questão de estilo a que já estamos habituados.

Os gémeos, sempre introduzidos nas conversas do casal, por iniciativa própria ou por sugestão dos jornalistas, dão a oportunidade perfeita para introduzir o tema de uma família incompleta que aguarda a vinda de um elemento em para consagrar uma espécie de união original, prenhe da mais suprema das felicidades, onde uma espécie de omnipresença mística (“ela está sempre connosco”) é materializada pela manutenção demasiado exibicionista de artefactos (o quarto de Maddie ter ficado intacto) e demonstrada nas, implantadas, memórias e nas saudades “por procuração”de Sean e Amelie. Contudo, a propósito de tudo estar permanentemente harmonioso esperando Maddie (desde os, atribuídos, anseios de seus irmãos até à manutenção dos seus pertences) não deixa de ser, no mínimo, grotesco o facto de vestirem a Amelie com as suas roupas e, ainda por cima, fazerem-lhe essa referência. E que dizer da apropriação das suas crenças relativamente ao acontecido, quando Gerry refere que “eles acreditam que [Maddie] foi raptada”? Claro que as crianças acreditam no que os adultos lhes dizem, ainda que seja uma vã e muito incerta esperança ou, pior, uma evidente mentira. Mas os adultos também dizem muitas vezes o que lhes convém sobre o pensamento das crianças, ainda que tal constitua, apenas, uma interpretação enviesada ou, também, uma propositada manipulação.
Permitam-me que vos confesse uma coisa. Do meu ponto de vista, a jornalista Rita Jordão colocou questões simples, de uma forma simples, mas muito, muitíssimo, inteligentes. Aliás, foi uma dessas perguntas inteligentemente simples que abriu caminho à questão mais central de toda a entrevista: a desmedida raiva e o enorme receio relativamente à exposição mediática de Gonçalo Amaral, e de suas teses, e a tentativa de assumir a exclusiva pro-actividade na (pseudo) procura de Madeleine McCann.

A pergunta-chave foi a seguinte: “Qual foi o vosso maior medo do que possa ter acontecido a Madeleine?”

Tal questão permitiu operacionalizar toda a estratégia de desmontagem dos factos, através de falácias de vários tipos (em particular argumentum ad ignorantium, argumentum ad autoritatum, modus tollens e modus ponens resultantes de inversões ilógicas na negação do consequente e na afirmação dos antecedente).
Se no início tiveram receio de que a sua filha tivesse sido raptada por um pedófilo e, posteriormente, molestada e morta, pela, suposta, ausência de indícios desta tese concluíram que não se pode concluir que algo de mal lhe tenha acontecido. Peço desculpa ao leitor pela redacção, em particular no que concerne à expressão “concluíram que não se pode concluir”, mas foi o meio mais eficaz para demonstrar as duas últimas falácias referidas. Mas, a título paradigmático, atente-se a outra frase “Se não se sabe quem a levou, então não se pode concluir que esteja morta” (argumentum ad ignorantium). Bom, mas factos que consubstanciem a tese de rapto, NEM UM! Nunca houve, não há e, estou crer, não haverá.
Ficou patente que os documentários realizados pelos McCann foram respostas, in extremis, ao documentário de Gonçalo Amaral, inspirado na sua obra “A Verdade da Mentira”. A não ser assim, e a não estar previsto outro documentário, não se entende por que outras razões os actores convidados para o documentário, em particular a actriz que iria representar Kate McCann, não apareceram na versão final. E PARA AQUI NÃO HÁ HISTÓRIA DA CAROCHINHA QUE RESULTE! FOI UMA RESPOSTA DESCOORDENADA E FALHADA, SEM SENTIDO! O desespero, patente na raiva, nem sempre contida, em particular de Gerry McCann, levava-nos a antecipar o que veio a concretizar-se: um processo contra Gonçalo Amaral.

Bom, para além de recomendar os últimos artigos de Duarte Levy e Paulo Reis a este propósito deixem-me adiantar uma (nova) velha questão.

A clássica estratégia anglo-saxónica de intimidação tem por costume amedrontar os mais frágeis para avisar os mais fortes. Esperava-se, pois, que os McCann processassem um ou outro jornalista ou um ou outro blogger antes de processar Gonçalo Amaral. Não o fizeram!

Voltarei a este tema.

Termino, por hoje, afirmando, tal como o fiz em Outubro de 2007, TODA A MINHA SOLIDARIEDADE A GONÇALO AMARAL! A Autoridade dos Argumentos vencerá os Argumentos de Autoridade! A História assim nos tem ensinado…

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