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Submarinos de Paulo Portas chegam no Outono.

16/03/2009

O “Tridente” e o “Arpão” são os maiores submarinos construídos até hoje na Alemanha.

arpao

Os controversos submarinos encomendados a um consórcio alemão em Abril de 2004 por Paulo Portas, o então ministro da defesa nacional do governo de Durão Barroso, devem chegar a Portugal ainda este Outono, em pleno período de crise e ainda com muitas dúvidas por esclarecer em relação a um negócio que mesmo a NATO nunca compreendeu.

24horas Hoje no 24 horas

Os dois maiores submarinos construídos até hoje na Alemanha são portugueses e saem dos estaleiros da Howaldtswerke-Deutsche Werft GmbH (HDW) em Kiel onde o “Arpão” e o “Tridente”, os nomes escolhidos, se encontram agora na fase final de testes para serem depois encaminhados para o nosso pais onde vão constituir a 5ª esquadra da Marinha portuguesa.
A venda dos dois submarinos a Portugal foi feita por um consórcio alemão constituído por dois estaleiros, a Howaldtswerke–Deutsche Werft AG (HDW) de Kiel e a Nordseewerke GmbH (NSWE) de Emden, mas também pela Ferrostaal AG (FS) de Essen.
Com 68 metros e 2000 toneladas, o “Tridente” entrou na água em Julho do ano passado, depois de ter sido baptizado oficialmente, (veja o video AQUI) e está agora a ser preparado para a primeira viagem de ensaio que deve ocorrer ainda durante a primavera. Se o “Tridente” completar o ensaio com êxito, o que não parece estar comprometido dados os excelentes resultados obtidos nos testes até agora efectuados, será este o primeiro dos dois submarinos a chegar a Portugal.
Os dois submarinos portugueses, cujo custo inicial ultrapassa os 800 milhões de euros, pertencem à classe 209PN e, para além do tradicional motor diesel, vêm equipados com um motor híbrido, dispondo de uma célula de combustível para a produção de energia. O novo e único sistema de propulsão independente de ar, baseado no comprovado sistema de célula de combustível, vai proporcionar uma muito maior capacidade de autonomia submersa.
Tanto o “Tridente” como o “Arpão” vêm equipados com oito canos de torpedo, dispondo igualmente de canos com capacidade para disparar mísseis, e têm assinaturas acústicas, térmicas e magnéticas minimizadas o que lhes permite operar em modo furtivo com um grau de segurança próximo dos submarinos americanos.
O “irmão” mais novo das duas embarcações, o “Arpão”, saiu a semana passada do edifício dos estaleiros alemães e encontra-se neste momento no elevador pronto para ser colocado na água estando prevista a sua conclusão antes mesmo do prazo inicial acordado, que fixava o primeiro trimestre de 2010 para a sua entrega.
O “Tridente” e o “Arpão”, cuja compra foi criticada até pela NATO que afirmava que o nosso país não tinha qualquer necessidade de se dotar deste tipo de embarcações, são os maiores submarinos construídos até hoje em toda a Alemanha, só ultrapassados em porte pela encomenda do governo israelita de dois submarinos com 2300 toneladas e cujo contrato promete ser tão “atribulado” quanto o português.

Depois da polémica do concurso, o negócio está sob investigação

Depois de a atribuição do contrato ao consórcio alemão ter levantado alguma polémica dados os protestos de um grupo concorrente francês, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) continua a investigar o negócio da compra dos dois submarinos onde existem suspeitas de terem sido efectuados pagamentos ilícitos, nomeadamente ao CDS-PP.
Ainda recentemente, uma fonte do DCIAP admitiu ao 24 Horas que a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) teria sido alvo de buscas para encontrar o contrato original que estabelecia as contrapartidas da compra do “Tridente” e do “Arpão” e estabelecia uma opção para a aquisição de um terceiro submarino.
A mesma fonte, contactada ontem pelo 24 Horas, admitia ainda a existência de documentos “muito importantes” que só podem ser encontrados na Alemanha, não esclarecendo contudo se existe algum pedido oficial às autoridades alemãs no sentido de os apreender ou de vir a interrogar os representantes do consórcio.
Em declarações a um diário nacional, o próprio presidente da CPD, o embaixador Pedro Catarino, já tinha admitido que o DCIAP e a Polícia Judiciária já foram várias vezes à CPC para averiguar e consultar a documentação, sem confirmar no entanto se o contrato original das contrapartidas dos submarinos estaria ou não nas mãos dos investigadores.
O DCIAP e a PJ querem esclarecer se o depósito de quase 1,1 milhões de euros em donativos nas contas do CDS-PP entre 27 e 30 de Dezembro de 2004 terá sido um benefício do CDS-PP por via do negócio dos submarinos, o que o então ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre negou garantindo que foram passados recibos referentes a todos os donativos.
Para além daqueles depósitos, feitos a dois meses das eleições legislativas de 2005, o DCIAP e a PJ querem ainda apurar se a comissão paga à Escom, empresa do Grupo Espírito Santo, terá gerado o pagamento de comissões ilícitas já que existem indícios de transacções suspeitas que passam pelo Reino Unido.

Submarinos são prenda envenenada para Sócrates

Cinco anos mais tarde, a decisão de Paulo Portas de comprar dois submarinos para substituir os velhos Barracuda e Delfim, ambos da classe “Albacora”, é vista pelo actual governo como uma verdadeira prenda envenenada que vão mais que duplicar o défice orçamental quando forem finalmente contabilizados nas contas públicas, o que poderá acontecer já em 2010.
Com a entrega física do “Tridente” e do “Arpão”, e de acordo com as regras do Eurostat, o Estado vê-se obrigado a inscrever os mais de 900 milhões de euros, juros incluídos, nos registos contabilísticos correspondentes ao ano da entrega.
A “prenda” envenenada que Paulo Portas deixou ao actual governo, vai aumentar para mais do dobro o défice das contas públicas previsto no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) que inicialmente estaria situado nos 0,4%. Tendo em conta que o custo dos dois submarinos representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o défice será então de 0,9%.
Resta agora saber se o Orçamento de Estado para 2010 vai prever ou não esta despesa o que pode colocar seriamente em risco a sua aprovação pelo Tribunal de Contas.

Duarte Levy

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2 Comentários
  1. 22/03/2009 11:59

    A compra dos submarinos foi optima escolha, pois portugal tem uma costa atlantica muito vasta, madeira e açores.Depois pode haver cooperação multilateral no ambito da cplp ou nato em exercicio conjunto,na dissuação de outros submarinos ou navios.A autonomia destes submarinos pode chegar a angola ou moçambique no ambito de cooperaçao bilateral entre dois paises.Sobre o pagamento dos submarinos deveram ser pagos sem recorrer ao leasing para evitar juros futuros na ja endividada economia nacional.Custa um pouco mas vale a pena.

  2. 16/03/2009 19:55

    O Paulo Portas é fixeeeeeeeeee !!!!!!! e POR ACASO a Ministra das Finanças era a Dra. Manuela Ferreira Leite, hehehehehehehehehehehehehe

    ( piscadela de olho …. )

Os comentários estão fechados.

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