
Calado pela Justiça, antigo inspector colecciona apoios online
Cidadãos querem levar à Assembleia da Republica e ao Parlamento Europeu texto em defesa de Amaral
Sob o nome “Projecto Justiça para Gonçalo Amaral”, um grupo de cidadãos lançou uma petição de apoio ao ex-coordenador da Policia Judiciária cujo livro “Maddie, A Verdade da Mentira” se encontra proibido por injunção do Tribunal Cível de Lisboa no âmbito de um processo interposto pelos pais da menina inglesa e no qual reclamam 1,2 milhões de euros.
A petição – disponível na internet AQUI – ainda não foi lançada oficialmente, mas já contava ontem com mais de meia centena de signatários, na sua maioria portugueses, e deverá ser entregue à Assembleia da República, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e ao Parlamento Europeu.
Segundo os autores do projecto, a iniciativa visa apoiar Gonçalo Amaral, que se encontra proibido na providência cautelar de expressar “uma opinião, baseada em factos de uma investigação policial, uma conclusão racional, responsável e adulta.”
“Tal providência cautelar era apenas a ponta de um icebergue. Na acção principal a que se refere, os pais de Madeleine visam extorquir ao Dr. Gonçalo Amaral a soma de 1.2 milhões de euros – um valor astronómico e fora de qualquer proporção, seja legal, seja ético” acusa o manifesto dos autores do projecto que se identificam como “Cidadãos pela Defesa dos Direitos e Liberdades”.
Gonçalo Amaral, assim como as editoras Guerra e Paz e Valentim de Carvalho, estão proibidos por uma providência cautelar da juíza Amélia Puna Loupo de “procederem à reprodução ou comentário, opinião ou entrevista” acerca da tese defendida pelo ex-coordenador da PJ no caso Maddie, mas que, segundo o ex coordenador da PJ, apenas reflecte o que se encontra no processo da investigação.
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Desaparecimento de Younes intriga investigadores

Younes, 4 anos – Foto do grupo Sud Presse (Belgique)
Menino de 4 anos terá saído de casa de madrugada, ao ouvir os pais discutirem. Nunca mais foi visto. O mistério do caso e o comportamento dos pais traz à memória o desaparecimento da pequena Maddie.
Younes como Maddie? – É esta a pergunta com que se interrogam os belgas desde há duas semanas, quando confrontados com o facto do desaparecimento de Younes Jratlou, um menino de quatro anos de idade, que alegadamente terá saído de casa às quatro da madrugada durante uma acesa e violenta discussão entre os seus pais.
Se à primeira vista nada liga o desaparecimento, em Portugal, de Madeleine McCann ao do pequeno Younes na Bélgica, o mistério que envolve os dois casos, a par do comportamento e da reacção dos respectivos pais, tem levado as autoridades e os média belgas a compararem os dois crimes.
Segundo os dados do inquérito, a que o 24horas teve acesso, a versão divergente dada pelo casal não convence as autoridades, mesmo se até agora – como no caso Maddie – o porta-voz da polícia federal continua a afirmar que o casal não é suspeito e que todas as hipóteses continuam em aberto: rapto parental, rapto, assassínio, ou acidente que teria causado a morte da criança. O que é certo é que Younes continua desaparecido e que o comportamento do casal, belgas de origem marroquina, é pelo menos considerado como “muito estranho e irresponsável”.
“Independentemente dos avanços no inquérito, podemos já falar em negligência da parte do casal,” disse um responsável da polícia ao 24horas.
O alerta dado cerca das seis da manhã pelo pai do menino, Mohamed Jratlou, veio intrigar ainda mais as autoridades, já que o filho mais velho do casal afirma que Younes saiu de casa às quatro da madrugada.
Tal como no caso Maddie, a explicação dos país para os lapsos de tempo entre o desaparecimento e o alerta para a polícia – cerca de duas horas em ambos os casos – “é divergente e não coerente,” como disse agora ao 24horas um porta-voz da polícia em Bizet, e como afirmava a PJ em 2007.
Dada a idade da criança e as circunstâncias descritas pelo casal, o desaparecimento foi imediatamente considerado pelas autoridades como “muito inquietante” levando a polícia federal a despachar para o local um número elevado de homens e cães que, com a ajuda da população, iniciaram as buscas.
Mais do que em qualquer outro país – a Bélgica ficou traumatizada com o caso Dutroux e o rapto e a morte de Julie Lejeune e Melissa Russo – as autoridades belgas não olham a meios para responder e investigar o desaparecimento de uma criança. Durante dias, homens e cães passaram a região a pente fino com a ajuda dos helicópteros da polícia e os meios da protecção civil. Também do outro lado da fronteira, em França, a PJ de Lille foi chamada a investigar diversas pistas, entre elas a possibilidade do menino ter sido levado para aquele pais.
Apesar de todas as buscas, o pequeno Younes ainda não foi encontrado e mesmo a hipótese de a criança ter saído sozinha de casa não tranquiliza as autoridades – uma criança poderia sobreviver três dias sem beber e cinco sem comer, no máximo – e o mistério mantém-se.
A reconstituição que os McCann recusaram
Passadas duas semanas, o responsável pela zona de polícia – admirador de Gonçalo Amaral e do livro que este escreveu sobre o caso Maddie, como o próprio confessou ao 24horas – e Marie-Claude Maertens, o procurador do rei, organizaram a reconstituição em presença de todas as testemunhas do desaparecimento. Coisa que a PJ nunca conseguiu organizar no caso Maddie.
“Pedimos aos pais para nos mostrarem aquilo que fizeram durante a noite do desaparecimento de Younes. Eles aceitaram sem que a polícia os obrigasse,” disse Maertens.
Esta diligência – recusada em Portugal pelo casal McCann e seus amigos – decorreu com total normalidade com a comunicação social a aceitar manter-se afastada do local como confirmaram os jornalistas do grupo Sud Presse ao 24horas.
“Todos os gestos foram filmados e repetidos em tempo real. Tanto lá dentro (da casa) como na rua e arredores. O nosso objectivo, é meter em evidência as inconsistências dos testemunhos,” disse ao 24horas o responsável da polícia federal belga, acrescentando que esta diligência, “para além de ser obrigatória, é vital para apurar a verdade”.
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Ex-presidente do Benfica pediu adiamento do seu processo de extradição
Atraso beneficia Vale e Azevedo
O processo de extradição de João Vale e Azevedo do Reino Unido para Portugal foi ontem adiado, sem que tenha sido determinada uma nova data.
A audiência no Supremo Tribunal de Justiça britânico, que estava agendada para a manhã de ontem, foi adiada a pedido do antigo presidente do Benfica que informou igualmente o tribunal que passava a representar-se por um advogado, contrariamente ao que vinha a acontecer.
A audiência de ontem estava classificada para pedido de “instruções”, em que as duas partes deviam prestar informações acerca do recurso sobre o cúmulo jurídico a decorrer em Portugal, mas o adiamento foi decidido ainda antes do inicio da audiência.
De acordo com uma fonte daquele tribunal inglês, em declarações ao 24horas, o atraso da decisão no processo de recurso em Portugal e os consecutivos adiamentos da decisão de extradição “só podem beneficiar a defesa do senhor Azevedo, e causar dificuldade ao pedido feito pelas autoridades portuguesas”.
A falta de uma decisão final sobre o cúmulo jurídico das penas que lhe foram aplicadas em Portugal foi o argumento que o ex-presidente do Benfica usou na audiência anterior, a 30 de Junho, e ao qual o juiz acedeu.
Tanto o advogado de Vale e Azevedo em Portugal, José António Barreiros, como o Ministério Público português recorreram contra o resultado do cúmulo jurídico que a 25 de Maio determinou 11 anos e meio de prisão pelas diversas condenações já sofridas por Vale e Azevedo. Ainda não é conhecida a decisão do Supremo Tribunal de Justiça português.
Ontem, o caso constava na lista de sessões do tribunal em Londres mas a sala nem chegou a abrir e o adiamento só foi confirmado pela secretaria poucos minutos antes da hora prevista.
Até aqui, o ex-presidente do Benfica representava-se a si próprio perante o Supremo Tribunal de Justiça britânico argumentando que necessitava de poupar dinheiro.
Na origem do pedido de extradição apresentado pela Justiça portuguesa, e ao qual o Tribunal de Magistrados de Westminster deu inicialmente provimento, está uma pena de sete anos e seis meses de prisão a que Vale e Azevedo foi condenado, na sequência do ‘caso Dantas da Cunha’.
Vale e Azevedo, contactado pelo 24horas, escusou-se, para já, a qualquer comentário.
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As novas imagens de Maddie
Nova campanha inclui apelo vídeo e entrevistas com Kate McCann
Um vídeo com imagens inéditas de Maddie, com seis anos, pele bronzeada e o cabelo escuro, como se a criança tivesse passado dois anos no norte de África ou no Sul da península ibérica, é o ponto principal de um novo apelo a testemunhas que o centro de protecção contra a exploração infantil (CEOP) lançou ontem, em Inglaterra, no âmbito da campanha de Kate e Gerry McCann.
O novo instrumento de campanha apresenta uma série de fotografias e imagens vídeo de Madeleine, já conhecidas, mas também três imagens do aspecto que a criança poderia ter agora, se ainda estiver viva.
O vídeo, traduzido em sete línguas – inglês, árabe, francês, alemão, italiano, português e espanhol – e especialmente preparado para a internet, pretende fazer apelo à consciência de uma eventual testemunha “que sabe o que aconteceu a Maddie”.
De acordo com Jim Gamble, responsável do CEOP, o vídeo foi preparado com a ajuda de psicólogos e visa convencer “um amigo ou parente da pessoa responsável pelo desaparecimento da menina” de que estará a “fazer a coisa certa”.
“A pessoa a quem pretendemos chegar é provável que seja um parceiro, familiar, amigo ou colega de trabalho da pessoa ou das pessoas que estiveram envolvidos no desaparecimento de Madeleine,” disse o responsável do CEOP sublinhando que “também é muito provável que eles, ou alguém próximo deles, esteja a usar a internet para pesquisar todas as actualizações que podem sugerir que a polícia está mais perto de descobrir a verdade.”
O vídeo agora revelado inclui novas imagens virtuais de Maddie que se vêm adicionar à precedente fotografia elaborada nos Estados Unidos pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), e que apresentava Maddie com um aspecto “muito americano”.
O CEOP aposta na internet para divulgar o novo apelo – o primeiro da sua espécie – e espera que a mensagem chegue ao mundo inteiro através dos blogs, mas também via as redes sociais como o Facebook e o Twitter.
Policia Judiciária excluída da campanha
O CEOP não trabalha com a Policia Judiciária, portanto a autoridade a quem está confiado o inquérito ao desaparecimento de Madeleine McCann, mas prometem que todas as informações recebidas e que sejam pertinentes serão transferidas para a polícia do Leicestershire, “que a vão partilhar com os detectives portugueses”.
“Não tenho conhecimento dessa nova campanha nem do apelo,” disse fonte da PJ mostrando alguma reserva quanto à colaboração com o CEOP: “foi esse o organismo que em 2007 pediu aos turistas as imagens tiradas na Praia da Luz e de quem nada recebemos em seguida,” disse o mesmo inspector.
Após o desaparecimento de Maddie, aquele organismo pediu aos turistas que visitaram a Praia da Luz para enviarem as fotografias das suas férias para que elas pudessem ser comparadas com um banco de dados de imagens de pedófilos do Reino Unido e outros criminosos.
A nova campanha, segundo o responsável do CEOP, tem o apoio da polícia no mundo inteiro, em particular da Interpol, da Europol, da polícia australiana, norte-americana, canadiana e Emirados Árabes Unidos. O novo apelo lançado pelo CEOP, de acordo com Jim Gamble – conhecido em Inglaterra pela sua responsabilidade na operação ORE – pretende responder à frustração expressa por Kate e Gerry com a falta de novos indícios e pistas.
“Estamos extremamente gratos ao CEOP pelo lançamento desta nova mensagem em todo o mundo de forma tão eficaz. É vital que seja visto e ouvido da forma mais ampla”, disse o casal em comunicado.
O conteúdo das “Tardes da Júlia”, que Júlia Pinheiro apresenta diariamente na TVI, esteve na semana passada debaixo de fogo, depois da advogada Isabel Duarte se ter recusado a participar no programa onde se deveria abordar o caso Maddie. A advogada que representa o casal McCann e os seus três filhos – incluindo a desaparecida Maddie – no processo contra Gonçalo Amaral, recusou-se a participar e escreveu à administração do canal para relembrar a providência cautelar que proíbe o ex-coordenador Gonçalo Amaral de falar sobre o conteúdo do seu livro, “A Verdade da Mentira”, assim como da tese que este defende e que se encontra no processo que o Ministério Público disponibilizou aos jornalistas.
Segundo fonte da TVI, um responsável do canal discutiu com Júlia Pinheiro se o tema deveria manter-se nas “Tardes da Júlia”, mas a apresentadora não deixou de abordar o assunto com o psicólogo Paulo Sargento que explicou o seu pedido de reabertura do caso, evitando falar de Amaral e do processo que se encontra em curso.

